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Eleições e a morte da representatividade das pessoas com deficiência

3 out 2026 - 10h50
Resumo
A representatividade política de pessoas com deficiência corre risco de desaparecer no Congresso Nacional com a saída de Mara Gabrilli e a falta de candidaturas fortes, revelando que engajamento digital superficial não garante votos. Esse vácuo preocupa diante de dados alarmantes de desigualdade, que apontam alto analfabetismo, escassez de cargos de liderança e avanço do capacitismo. O cenário exige que novos parlamentares defendam a Lei de Cotas e fortaleçam com urgência a educação inclusiva.

No Congresso Nacional, com a saída da senadora Mara Gabrilli, que decidiu disputar vaga na Alesp, e sem candidaturas fortes, a pífia presença do povo com deficiência deve desaparecer. Ficaremos subordinados à vontade de parlamentares sem vivência concreta na temática e a uma visão assistencialista das nossas pautas.

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Desistências recentes entre pessoas com deficiência que disputavam cargos em assembleias estaduais e no Congresso Nacional, todos estreantes em eleições, mostram que é uma ilusão crer na transferência direta de 'seguidor' para 'eleitor'.

O ponto principal de apredizagem, especialmente quando se trata de uma temática bastante específica como o universo das pessoas com deficiência, é que se apresentar como representante desse coletivo sem ter, efetivamente, uma atuação verdadeira por essa coletividade, soa oportunista e não garante apoio real para eleição, tanto das instituições que defendem essa população quanto dos próprios partidos.

E tem ainda um componente que surge dessa posição de influenciador: a vaidade, que faz essas pessoas acreditarem fielmente na própria importância, apesar de atuarem na superficialidade, mas sempre bajuladas. É exatamente essa superficialidade, com publicações muito curtas e sem nenhuma novidade, que geram o tal engajamento, porque qualquer palavra é lição para desinformados.

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Em agosto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) infomou que nestas eleições, 1.970.165 eleitoras e eleitores declararam ter algum tipo de deficiência, o que representa crescimento de 42% em relação a 2022. E que 220.577 seções eleitorais principais têm acessibilidade.

Pautas mais urgentes das pessoas com deficiência

Levantamento sobre candidaturas de pessoas com deficiência feito pelo site Diário PcD chegou a 126 nomes. Ainda assim, com a saída do Congresso Nacional da atual senadora Mara Gabrilli, única representante real da população com deficiência em Brasília, que decidiu disputar vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), e sem quadros com mínima força para reunir votos suficientes, a pífia representatividade do povo com deficiência deve desaparecer. Ficaremos subordinados à vontade de parlamentares ser vivência concreta na temática e a uma visão assistencialista das nossas pautas.

Educação e trabalho estão no topo das prioridades, porque tudo passa por esses dois setores. Jamais vai haver autonomia e independência para gente com deficiência se não existir acesso pleno ao ensino e a empregos de qualidade, com remuneração justa e equivalente ao cargo ocupado.

Pesquisas recentes mostram cenários preocupantes

Em setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou a segunda edição do estudo 'Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil', que mostrou taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência mais de dez vezes acima da taxa entre pessoas sem deficiência. Entre as pessoas sem deficiência de 15 a 29 anos, o índice atingiu 1%, mas entre as pessoas com deficiência, chegou a 12,2%.

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Também em setembro, a 'Pesquisa Ethos de Diversidade, Equidade e Inclusão 2025/2026' mostrou que apenas 12% das empresas buscam pessoas com deficiência para cargos de gerência e somente 10% recrutam esses profissionais para posições executivas,

Outro levantamento, feito em agosto na plataforma de empregos IncluiPcD, da Egalite, especializada na colocação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mostra que 98% dos cargos oferecidos são operacionais e com média salarial de R$ 2 mil.

E a edição 2026 da 'Pesquisa Nacional PcD', feita pela Catho, mostra um forte aumento do capacitismo nas empresas, com crescimento de quase 16% no percentual de profissionais que afirmam ter sofrido ou presenciado preconceito no ambiente de trabalho.

Diante desse cenário, o que parlamentares, em Brasília e nos estados, que dedicarem atenção à população com deficiência, precisam (1°) garantir a continuidade da Lei de Cotas (8.213/1991), protegendo de ataques e tentativas de alterações que prejudicam a efetividade, e (2°) fortalecer a estrutura da educação inclusiva, com prioridade para a formação de professores e de profissionais multidisciplinares para atuação nas escolas.

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Sem essa mínima resistência, os próximos anos prometem dificuldades ampliadas para a população com deficiência.

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