Star Fox: o jogo que obrigou o Super Nintendo a pensar em 3D antes da hora

Com o chip Super FX no cartucho, jogo trouxe um laboratório 3D dentro do SNES

20 fev 2026 - 13h46
Star Fox: o jogo que obrigou o Super Nintendo a pensar em 3D antes da hora
Star Fox: o jogo que obrigou o Super Nintendo a pensar em 3D antes da hora
Foto: Reprodução/Nintendo

Em 1993, quando a palavra “3D” ainda soava como promessa distante nos consoles domésticos, a Nintendo decidiu fazer algo que parecia imprudente: empurrar o Star Fox para além dos limites naturais do Super Nintendo.

Era uma época em que o Super Nintendo reinava absoluto no 2D. Sprites exuberantes, Mode 7 elegante, trilhas sonoras inesquecíveis. Tudo funcionava como um relógio de 16 bits. Mas enquanto a concorrência começava a flertar com a próxima dimensão, a Nintendo — tradicionalmente cautelosa — resolveu experimentar.

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O chip escondido que mudou tudo

Para que Star Fox existisse, foi preciso algo inédito: um processador adicional embutido no cartucho. O Super FX não era apenas um acessório técnico; era uma confissão silenciosa de que o hardware original não daria conta sozinho.

O chip Super FX calculava polígonos em tempo real, permitindo que naves, inimigos e cenários tridimensionais ganhassem forma. Eram modelos simples, angulosos, quase abstratos — mas vivos. Pela primeira vez, muitos jogadores viram profundidade real saindo de um console que parecia destinado ao plano bidimensional.

O curioso é que o resultado não parecia uma evolução natural do SNES. Parecia um vislumbre do futuro infiltrado no presente.

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Polígonos, ousadia e risco

Desenvolvido em parceria com a britânica Argonaut Software e tendo como designer principal Shigeru Miyamoto, Star Fox não queria competir com os jogos 2D. Ele queria provar um ponto: o Super Nintendo ainda tinha cartas escondidas.

O jogo estava longe de ser perfeito. O desempenho era instável. A taxa de quadros caía. A imagem piscava. Mas havia algo hipnotizante naquelas formas geométricas se movendo no espaço. Não era apenas técnica — era ambição.

Fox McCloud e sua equipe não nasceram apenas como mascotes. Eles surgiram como símbolos de uma transição. Star Fox não era perfeito, mas era corajoso.

E coragem, naquele momento, era mais importante do que acabamento.

Um clássico que envelheceu diferente

Foto: Reprodução

Hoje, revisitar Star Fox no Super Nintendo é como abrir uma cápsula do tempo tecnológica. Seus polígonos crus podem soar datados, mas carregam uma honestidade rara. São a marca de uma indústria que ainda estava tateando o desconhecido.

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Enquanto muitos clássicos envelhecem pela beleza, Star Fox envelheceu pela importância. Ele obrigou o Super Nintendo a pensar em 3D antes da hora. E, ao fazer isso, mostrou que inovação nem sempre nasce da perfeição — às vezes nasce da inquietação.

E talvez seja por isso que, mesmo com suas arestas visíveis, ele continue sendo lembrado como um dos momentos mais audaciosos da era 16 bits.

Fonte: Game On
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