Presidente da The Pokémon Company relembra os 30 anos de Pokémon

Tsunekazu Ishihara conta como Pokémon se tornou um fenômeno desde quando Red e Green foram lançados em 1996

2 set 2026 - 11h35
Presidente da The Pokémon Company relembra os 30 anos de Pokémon
Presidente da The Pokémon Company relembra os 30 anos de Pokémon
Foto: Reprodução / The Pokémon Company

O Terra Game On esteve presente em um painel na Pokémon XP 2026 em que Tsunekazu Ishihara, presidente e CEO da The Pokémon Company, contou muitos detalhes a respeito da franquia Pokémon.

O executivo explicou como, em apenas 30 anos, Pokémon saiu da condição de simples jogos de Game Boy para se tornar uma das maiores franquias de videogames do mundo, além de um fenômeno da cultura pop com desenhos, mangás e filmes que fazem parte da memória afetiva de milhões de fãs do mundo inteiro.

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Foto: Reprodução / The Pokémon Company

Como Shigeru Miyamoto e Satoru Iwata ajudaram Pokémon a se tornar o game que todos conhecem

Os games originais da franquia, Pokémon Red e Pokémon Green, lançados no Japão em 1995, começaram a ser desenvolvidos bem antes, ainda em 1989, pouco depois do lançamento do Game Boy. Embora um jogo portátil pareça simples, Ishihara relembrou que desenvolver um game de qualidade para o Game Boy não era tarefa fácil. A primeira e grande dificuldade e limitação da época era a SRAM, ou seja, a memória de armazenamento para o cartucho de jogo. Guardar os 150 Pokémon presentes em Red e Green requer muita memória, e sua restrição dificultou muito a tarefa de Ishihara (então produtor dos games) e da equipe de desenvolvimento.

Ishihara se lembra que então um protótipo foi apresentado à Nintendo, e a Game Freak precisava negociar um aumento de memória para os jogos. O fator que mudou a história da franquia foi Shigeru Miyamoto, pois de acordo com Ishihara, foi graças ao criador de Mario que as versões finais de Pokémon Red e Pokémon Green terminaram tendo 8 vezes mais memória que o tamanho previsto no projeto original. 

Ainda segundo Ishihara, outro personagem decisivo para a história de Pokémon foi Satoru Iwata. O executivo explicou que logo após o sucesso de Pokémon Red, Green e Blue no Japão, a Game Freak já partiu para o desenvolvimento das sequências, pois não se imaginava que os jogos seriam lançados fora do território nipônico e muito menos se tornariam um dia um grande sucesso internacional. Mas Hiroshi Yamauchi, presidente da Nintendo na época, já anteviu o potencial da franquia e exigiu um lançamento internacional de Pokémon. Foi aí que Satoru Iwata, que na época trabalhava na Hal Laboratories, uma desenvolvedora parceira da Nintendo, deu uma grande ajuda no processo de localização de Pokémon. Ainda que fosse uma tarefa difícil e complexa, Ishihara se lembra que, para Iwata, a localização dos jogos começou como um hobby de fim de semana. 

Foto: Reprodução / The Pokémon Company

O fator Pokémon Trading Game Card e a importância do anime

Lançado no Japão alguns meses após os primeiros games para o Game Boy, os Pokémon Trading Game Card hoje ocupam lugar de grande destaque no universo da franquia Pokémon. Falando a respeito disso, Ishihara explicou que o jogo de cartas cumpriu um papel fundamental: devido às limitações técnicas do Game Boy, que apenas podia exibir imagens em preto de branco e gráficos simples em 8-bits, as ilustrações das cartas de Pokémon Trading Game Card não tinham as mesmas amarras para representar a franquia. Assim, as cartas foram muito importantes para ajudar a complementar o universo audiovisual de Pokémon.

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O anime, por sua vez, de acordo com Ishihara, foi muito importante para ajudar a audiência mais nova a entender o universo Pokémon. Ele achava que os jogos eram difíceis para o público mais novo, e que o anime cumpria o papel de explicar mais facilmente todos os elementos de Pokémon aos mais jovens.

O segredo do sucesso e o futuro de Pokémon

Ishihara se lembrou também de uma lição que ele aprendeu com o ex-presidente da Nintendo, Hiroshi Yamauchi, que dizia que as pessoas compram o game se ele for divertido e não pelo preço. O que importa, segundo Yamauchi, é se o jogo é divertido ou não, e caso não seja, as pessoas não compram mesmo se for barato. Ishihara levou essa lógica para os games de Pokémon e, assim, tudo é pensado para que seja divertido para o jogador. Um fator para essa diversão, segundo Ishihara, é a integração da fantasia de Pokémon com o mundo real, razão pela qual, por exemplo, desde os primeiros jogos, lugares do mundo real servem de inspiração para as aventuras presentes nos games. Outro fator foi o avanço tecnológico dos últimos 30 anos que permitiram uma crescente sinergia dos elementos in-game com a vida real. 

Nesse sentido, Ishihara cita em especial Pokémon GO, lançado em 2016, que usa a tecnologia dos celulares para representar os Pokémon dentro do mundo real, nos lugares que os jogadores frequentam em suas vidas. Para Ishihara, é como se o jogador tivesse várias maneiras de ir e voltar entre o mundo virtual de Pokémon e o mundo real. Outro fator de sucesso para Ishihara é o fato dos jogos Pokémon sempre manterem sua natureza portátil, e assim o jogador poder levar o jogo onde quer que ele vá.

Fonte: Game On
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