A Medida Provisória das Bets gerou incertezas no São Paulo ao ameaçar o patrocínio máster da Superbet, que tem potencial de até R$ 1 bilhão até 2030. Sem a casa de apostas, a camisa do clube arrecada cerca de R$ 59,75 milhões para 2026 com os demais parceiros, como Seguros Unimed, Moto da Gente e Ademicon. Diante da nova regra, o Tricolor precisará buscar um substituto de peso no mercado para manter a valorização comercial do uniforme e não sofrer um grande impacto em seu fluxo financeiro.
O São Paulo colocou sua camisa entre as mais valiosas do futebol brasileiro nos últimos anos, impulsionado principalmente pelo contrato com a Superbet. O acordo renovado até 2030 pode alcançar R$ 1 bilhão, considerando as variáveis previstas no vínculo.
A Agência RTI Esporte apurou que a parceria envolve o espaço máster na frente da camisa e também a parte superior das costas, além do naming rights do centro de treinamento, que passou a ser chamado de SuperCT.
A MP das Bets aumentou a incerteza sobre o futuro comercial do São Paulo. Se a Superbet deixar o uniforme, o clube terá de buscar um substituto para o espaço máster. Os demais contratos formam uma base relevante, mas ainda distante do valor do principal acordo.
Quanto sobra sem a Superbet?
Considerando os valores conhecidos para 2026, o São Paulo tem aproximadamente R$ 59,75 milhões em receitas das demais propriedades comerciais do uniforme, sem incluir a Superbet. A maior delas é a Seguros Unimed, que passou a ocupar a barra traseira da camisa.
O contrato prevê R$ 15 milhões anuais até 2030, totalizando R$ 75 milhões em cinco anos. O São Paulo confirmou o valor, enquanto a Moto da Gente ocupa a barra frontal após substituir o produto anterior da mesma empresa.
O contrato, fechado em 2025, permanece válido até o fim de 2026 e rende cerca de R$ 18 milhões no ano. A Ademicon também ocupa uma das propriedades do peito. O valor considerado nas projeções comerciais do clube é de aproximadamente R$ 8,5 milhões anuais.
A Elgin, posicionada acima do escudo, tem contrato que gira em torno de R$ 7 milhões por temporada, embora o valor do vínculo renovado não tenha sido divulgado oficialmente. Nos calções, a UniCesumar representa mais R$ 2,25 milhões em 2026.
O contrato soma R$ 7,75 milhões até 2028, sendo R$ 2,25 milhões em 2026, R$ 2,5 milhões em 2027 e R$ 3 milhões em 2028. A Konami, nos números traseiros, rende cerca de R$ 2 milhões por temporada. Juntos, os acordos chegam a aproximadamente R$ 59,75 milhões em 2026.
O que acontece com a Superbet?
O contraste fica evidente quando o máster entra na conta. O contrato da Superbet foi renovado até o fim de 2030 e possui uma estrutura que combina valores garantidos e parcelas condicionadas ao desempenho esportivo.
O teto de R$ 1 bilhão divulgado para todo o vínculo não significa que esse valor esteja garantido ao São Paulo. A cifra depende do cumprimento das metas estabelecidas no contrato. Por isso, a comparação correta não é simplesmente dizer que a camisa vale R$ 1 bilhão.
Esse é o potencial máximo, não uma receita fixa anual. A Superbet, porém, representa valor muito superior às demais propriedades e, em caso de saída, o São Paulo teria de buscar um novo parceiro para o espaço máster.
MP das Bets muda o cenário
A Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, alterou radicalmente o mercado brasileiro de apostas de quota fixa. A norma proibiu a exploração, a oferta e a publicidade dessas apostas em território nacional.
Entre as consequências está a interrupção da publicidade, do marketing e dos patrocínios ligados ao setor. É justamente essa regra que afeta o São Paulo. A Superbet é uma casa de apostas e ocupa duas áreas importantes do uniforme.
Diante da mudança regulatória, o clube passou a trabalhar com alternativas para o espaço máster. O São Paulo chegou a discutir a possibilidade de ampliar temporariamente a exposição de patrocinadores que já estão na camisa enquanto busca uma solução para a propriedade.
A situação é delicada porque o São Paulo busca ampliar receitas. Em setembro, o Conselho Deliberativo aprovou acordo de R$ 140 milhões com a Ticketmaster para gerir ingressos e o programa de sócio-torcedor, com recursos também destinados ao fluxo de caixa.
Quanto vale a camisa sem a Superbet?
A resposta depende do critério utilizado. Considerando apenas os contratos comerciais conhecidos e diretamente relacionados ao uniforme, a base de 2026 fica em aproximadamente R$ 59,75 milhões sem a Superbet.
Esse número não representa uma avaliação independente de mercado. É a soma das receitas conhecidas das demais propriedades. A diferença para o contrato máster mostra o tamanho do problema. O São Paulo não precisaria apenas preencher um espaço vazio na camisa.
O clube teria de substituir uma receita muito superior à soma de várias propriedades menores. A New Balance também fica fora da conta, pois é fornecedora de material esportivo, com contrato de natureza diferente de um patrocínio convencional.
São Paulo e New Balance renovaram a parceria para 2026. Sem a Superbet, o clube mantém cerca de R$ 60 milhões anuais nas propriedades conhecidas, mas terá de buscar nova fonte para o espaço mais valioso do uniforme.
A MP das Bets transformou essa reposição em uma questão financeira de primeira ordem para o clube. O tamanho do próximo contrato máster determinará quanto da força comercial construída pela camisa tricolor poderá ser preservada.