Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, utilizou mais de R$ 1 milhão no cartão corporativo do clube entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. As faturas revelam despesas em restaurantes, lojas de luxo, viagens internacionais, consultas médicas e outros estabelecimentos, enquanto o dirigente agora enfrenta um processo interno que pode resultar em sua expulsão do quadro associativo.
Do total movimentado, Casares devolveu R$ 560.401,74 ao clube em novembro de 2025, valor referente a despesas classificadas como de caráter pessoal. O ressarcimento ocorreu apenas no fim de seu mandato, período em que ainda não existia uma política formal para regulamentar o uso do cartão corporativo no São Paulo.
As cobranças mostram uma frequência elevada em estabelecimentos de alto padrão. Entre eles estão a casa de charutos Esch Café, utilizada 71 vezes durante o mandato, o restaurante Gero, com 53 registros, além de compras em lojas de grife, como a Prada. Também aparecem despesas com salão de beleza, consultas médicas e farmácias.
De casa de charutos a lojas de grife: Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, gastou mais de R$ 1 MILHÃO com cartão do clube.
Os gastos ocorreram de janeiro de 2021 a dezembro de 2025.
Em novembro de 2025, o ex-presidente devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo, que seriam… pic.twitter.com/rM1lhvyaB8
— Planeta do Futebol (@futebol_info) July 23, 2026
As viagens internacionais concentraram parte significativa dos gastos. Durante a pré-temporada do São Paulo nos Estados Unidos, em janeiro de 2025, foram registrados mais de R$ 51 mil em despesas, incluindo uma compra superior a R$ 26 mil na Prada. No ano anterior, outras viagens a Londres e Las Vegas somaram aproximadamente R$ 160 mil pagos com o cartão corporativo.
Publicações feitas por Casares nas redes sociais também coincidem com diversas cobranças identificadas nas faturas. Restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos frequentados pelo então presidente aparecem em registros publicados por ele nas mesmas datas ou em dias próximos às despesas lançadas no cartão do clube.
Apesar disso, nem todos os valores foram considerados irregulares. Parte das despesas correspondeu a compromissos institucionais, como hospedagens da delegação, reuniões com empresários, encontros de trabalho e viagens ligadas às atividades da presidência. Por esse motivo, o valor devolvido não corresponde ao total gasto durante os cinco anos de gestão.
Após o ressarcimento, o São Paulo criou uma política específica para disciplinar o uso do cartão corporativo. O regulamento passou a proibir qualquer despesa de natureza pessoal, mesmo com possibilidade de reembolso posterior, além de estabelecer regras para gastos relacionados exclusivamente às atividades do clube.
Em nota, o São Paulo informou que todas as faturas estão sendo analisadas e afirmou que buscará novo ressarcimento caso sejam identificadas outras despesas pessoais. A defesa de Julio Casares sustenta que os gastos ocorreram no exercício da presidência, destaca que não havia normas específicas sobre o cartão corporativo à época e afirma que o ex-dirigente sempre atuou em compromissos ligados às funções exercidas no clube.