Após a Medida Provisória que baniu a publicidade de apostas esportivas, o Flamengo retirou a marca da Betano de sua camisa e estampará a frase de protesto "Proibir não é proteger" contra o Santos. A diretoria estima um prejuízo de R$ 400 milhões com a nova legislação. Diante do impacto financeiro que atinge o futebol brasileiro, o clube rubro-negro e outras equipes recorreram ao STF para contestar a constitucionalidade da medida e tentar suspender a proibição imediata.
Após o fim do prazo para a veiculação de publicidade e marcas de empresas de apostas esportivas nos uniformes dos clubes brasileiros, o Flamengo definiu como ocupará o espaço máster do seu uniforme. O prazo para a retirada das estampas de bets se encerrou na última segunda-feira (5), em cumprimento às determinações da Medida Provisória 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem a exibição da patrocinadora máster Betano, a equipe do Flamengo utilizará o espaço central de sua camisa no confronto diante do Santos para manifestar insatisfação com a medida governamental. Segundo informações do jornalista Lucas Jornal, o rubro-negro entrará em campo com a seguinte mensagem de protesto: "Proibir não é proteger".
A mudança no uniforme já começou a ser implantada no início desta semana durante as atividades no Ninho do Urubu. Nas imagens divulgadas pela "FlamengoTV" no treino da reapresentação do elenco nesta segunda-feira (5), parte dos atletas realizou os trabalhos com fitas adesivas cobrindo a marca da patrocinadora máster, enquanto outros já vestiam materiais com a estampa removida. Nas mídias digitais, o clube também vinha ocultando a logomarca da empresa em publicações recentes.
Além da alteração visual, o veto do governo gera forte preocupação econômica na diretoria rubro-negra. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista (Bap), criticou publicamente as restrições impostas pela legislação em pronunciamento à FlamengoTV.
Segundo o dirigente, a proibição provocará uma perda estimada em R$ 400 milhões nas receitas da instituição, gerando incertezas sobre o cumprimento do planejamento orçamentário e compromissos financeiros firmados anteriormente.
A insatisfação com o término da publicidade de bets não se restringe ao Flamengo. O cenário motivou dirigentes de diversos clubes a ingressarem com ações e pedidos no Supremo Tribunal Federal (STF) para participar dos processos que contestam a constitucionalidade da MP 1.394/2026.
Os clubes buscam a suspensão imediata dos efeitos do texto ou a concessão de um período de transição estendido para a readequação dos contratos em vigor.
A Medida Provisória, publicada pelo governo federal em 25 de setembro, proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa. Além do banimento de estampas em uniformes e materiais esportivos, a determinação estabelece o bloqueio e a retirada do ar de sites e aplicativos das plataformas do setor a partir desta terça-feira (6).