A tensão entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus na seleção portuguesa gerou forte repercussão. Segundo o técnico Manuel José, Jesus armou uma cilada calculada ao mandar o atacante aquecer e não utilizá-lo contra a Noruega, prevendo sua insatisfação após baixo rendimento. Cristiano deixou a concentração antes do jogo seguinte. Em contrapartida, Jorge Jesus negou qualquer provocação intencional, defendeu suas escolhas táticas, recusou desculpar-se e afirmou que o retorno do atleta depende dele mesmo.
A relação entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus segue no centro das discussões em Portugal. Afinal, o episódio ganhou força após o atacante do Al Nassr ficar no banco contra a Noruega pela Liga das Nações e deixar a concentração da seleção antes do confronto com a Dinamarca.
Dessa forma, o conflito também envolveu a entrevista coletiva concedida por Jorge Jesus em Copenhague. A decisão do treinador de colocar Ronaldo para aquecer e, depois, não utilizar o capitão português gerou reação do atacante e aumentou a tensão dentro da equipe nacional.
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Para o técnico Manuel José, Jorge Jesus já esperava esse desfecho. O experiente treinador português, de 80 anos, afirmou em entrevista exclusiva à plataforma winwin que o comandante da seleção agiu de forma planejada ao administrar a participação de Cristiano Ronaldo.
"Jesus foi obrigado a convocar Cristiano Ronaldo para a lista de Portugal, mas viu o seu fraco rendimento e decidiu mandá-lo aquecer [contra a Noruega]. Após 20 minutos, mandou-o sentar, porque sabia perfeitamente qual seria a reação do jogador. Ronaldo caiu na armadilha e tudo estava planejado com antecedência. Este é o meu ponto de vista", afirmou Manuel José.
Escolhas de Jesus
Ex-técnico de Benfica, Sporting e Al Ahly, Manuel José acredita que Jorge Jesus tinha consciência da repercussão que a decisão provocaria. Na avaliação dele, mandar Ronaldo ao aquecimento sem colocá-lo em campo diante da Noruega criaria uma reação do principal nome da seleção portuguesa.
A interpretação do treinador, porém, contrasta com a versão apresentada pelo próprio Jorge Jesus. O profissional afirmou que tomou as decisões de acordo com as necessidades da partida contra a Noruega e negou qualquer intenção de provocar o capitão português.
"Como não houve nada de especial em termos da minha autoridade, para mim, na próxima convocação, caso o Cris esteja jogando no Al Nassr, será convocável. Se ele quiser voltar, voltará. Só porque foi ele, criou-se, porque é um símbolo, o problema de aquecer e não entrar. Isso acontece com todos os jogadores. Quantos aqueceram hoje e não entraram? É sempre assim. O Cris é diferente porque é um símbolo, mas, para mim, não foi um problema. O Cris é que vai decidir", frisou Jorge Jesus.
"Não peço desculpas a ninguém. O problema foi o fato de o jogador ter aquecido. Pedir desculpas de quê? A quem? É mentira (que tenha sido acordado um pedido de desculpas). Qual é o tema para pedir desculpas?", acrescentou.
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