Tropeços inadmissíveis nos tempos do cólera

Botafogo deixa pontos preciosos pelo caminho e atira um balde de água fria na cabeça de mais de 22 mil torcedores. Foco, agora, é na Sula!

3 mai 2026 - 09h00
(atualizado às 09h00)
Foto: Vitor Silva/Botafogo - Legenda: Montoro tenta ganhar dividida. Monstrinho está devendo... / Jogada10

As nove partidas de invencibilidade foram o combustível para 22 mil populares abrirem mão do fim de semana e se estressarem com o Botafogo neste sábado (2), no Estádio Nilton Santos. Alguns, inclusive, nem se tocaram que havia uma popstar em Copacabana. Na última terça-feira (28), o técnico Franclim Carvalho lembrou que a série positiva uma hora cairia. Poderia ser na quarta (6), contra o Racing (ARG), pela Copa Sul-Americana, no Colosso do Subúrbio. Ou contra o Atlético Mineiro, no próximo domingo (10), pelo Campeonato Brasileiro. Todo mundo entenderia. No entanto, nem o sujeito mais pessimista acreditava que seria tão rápido. E diante de um postulante à Série B. Sim. O Glorioso perdeu para o até então penúltimo colocado Remo por 2 a 1, em uma virada bisonha. Um resultado inadmissível pela distância técnica entre as duas agremiações, a grandeza do Mais Tradicional, ambições e projeção de tabela nos tempos do cólera.

Futuro do Presente do Indicativo

A derrota torna-se ainda mais grave por conta da sequência de tropeços como mandante: Coritiba, Internacional e Remo. Todos, claro, com gols estúpidos. Neste recorte, em nove pontos, o Botafogo tinha a obrigação de somar, no mínimo, sete. A equipe de General Severiano obteve apenas dois. Enquanto ainda conta com um plantel decente, o Alvinegro não pode hesitar desta forma, pois até os refletores das ruas do Engenho de Dentro sabem que Barboza, Danilo e Montoro estão prestes a picar a mula e a ir embora. Os três serão desfalques certos. E não haverá reposição à altura no segundo turno. Note, meu caro (per)seguidor, a conjugação dos últimos verbos. Futuro do Presente do Indicativo por conta do fantasma do transfer ban. O destino parece, portanto, cada vez mais selado para um clube mergulhado em dívidas e no tsunami da renhida disputa societária.

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Autossabotagem

O Botafogo também é um exemplo perfeito de autossabotagem. Do proprietário da SAF até o ponta-esquerda, passando pelo treinador de Miranda do Corvo. O campo confirmou esta tese neste fim de semana. A coluna se concentrará, então, no aspecto esportivo. Ninguém mais aguenta a batalha dos tribunais! Após um bom primeiro tempo do Glorioso e com chances claras de liquidar a fatura em sua praça esportiva, Franclim Carvalho sacou o jogador mais lúcido do time e deixou o meio de campo menos criativo. Medina ditou o ritmo do setor, movimentou o tabuleiro e provou que, saudável, não pode sair da equipe em momentos cruciais. As alterações do treinador e a insistência pelo inoperante Tucu contribuíram para uma segunda etapa desastrosa do Mais Tradicional, com a equipe extremamente desorganizada nas quatro linhas. Ele ainda matou Danilo ao recuá-lo para a saída de três. E rolou um pouco de soberba dos futebolistas alvinegros, além de falhas individuais imperdoáveis, como a do zagueiro Bastos e do centroavante Kadir.

Devagar com o andor?

Não é exagero falar em decepção, presepada, vergonha e utilizar outros substantivos mais fortes quando a expectativa era de uma boa vitória sobre o Remo, no Colosso do Subúrbio. Isto posto, a crise administrativa da SAF está aí. Antes do prélio contra os azulinos, a Coluna do Léo Pereira enalteceu a resistência do futebol em meio ao caos. Talvez por um mero desejo de se apegar a algo neste momento delicadíssimo. O sentimento só não é de uma quebra de confiança porque o Botafogo ainda sustenta a melhor campanha na Copa Sul-Americana e está a um empate de alcançar as oitavas de final da Copa do Brasil. Ou seja, o corpo técnico e o plantel ainda podem oferecer, assim, bons argumentos para manter o torcedor por perto. Mas o bom humor fica para outro dia.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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