O presidente Lula desafiou seu adversário no segundo turno presidencial, Flávio Bolsonaro, a votar a favor da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1, pauta prevista para ser analisada pelo Senado antes das eleições. Enquanto Flávio evitou se posicionar e defendeu adiar o debate, a oposição, articulada por Rogério Marinho, classificou a discussão como oportunista e eleitoreira, defendendo em contrapartida a flexibilização da jornada por meio de negociações diretas entre patrões e empregados.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira, 7, durante reunião com parlamentares aliados em um hotel de Brasília, que quer ver como o senador e rival no segundo turno pela Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) vai votar sobre o fim da escala de trabalho 6x1, bandeira eleitoral do petista.
O tema está sendo deliberado pelo Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que o primeiro turno da votação da proposta pode ocorrer na semana que vem, antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro - mas a conclusão da votação nesse prazo ainda é incerta.
"Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu o desafio a votar favorável, e a pedir ao PL para votar favorável. Eles estão inventando uma história de que 'não, é melhor negociar com o patrão'. Como se, em um acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem", declarou.
O presidente também orientou como os aliados devem tratar o tema da segurança pública na reta final da eleição. O presidente declarou que os Estados não "deram conta" de tratar do tema sem a participação da União e ressaltou a importância da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública.
"O nosso lema é o seguinte: para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui para frente", bradou o presidente.
Nesta quarta-feira, 7, questionado por jornalistas, Flávio evitou responder como vai votar na PEC e defendeu adiar o debate.
Marinho diz que discussão é 'oportunista' e 'eleitoreira'
Coordenador da campanha do candidato do PL, o senador Rogério Marinho (RN) classificou como "oportunista" e "eleitoreira" a discussão sobre o fim da escala 6x1 e defendeu outra proposta, apresentada por ele, que dá flexibilidade à jornada de trabalho. O parlamentar não informou, no entanto, se a oposição vai votar a favor ou contra o fim da escala 6x1.
As declarações ocorreram após uma reunião da oposição no Senado para decidir o que fazer na votação sobre a proposta, prevista para a semana que vem.
"Nós achamos que a discussão agora é oportunista. Não nos negamos a discutir jornada, não nos negamos a discutir esse ou qualquer outro assunto, mas agora, claramente, o Lula, que passou 18 anos no poder, está desesperado para encontrar alguma forma de se reconectar com o eleitorado", declarou Marinho.
O parlamentar continuou: "Não faz bem ao País votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votada. Mas vamos aguardar o processo de discussão e oportunamente vamos nos posicionar".
Questionado se a oposição é contra ou a favor da proposta, Marinho respondeu: "Nós não somos contra, nem a favor do fim da escala 6x1. Nós somos a favor de que haja uma jornada flexível. Nós acreditamos que quem trabalha precisa ter a condição de escolher e fazer a sua própria condição de trabalho".
O coordenador da campanha de Flávio afirmou ser favorável à "negociação" entre empregadores e trabalhadores. "Não podemos colocar no mesmo projeto a jornada e a escala. É tratar os desiguais de forma igual", sustentou.
Perguntado se é favorável à garantia de dois dias de descanso para trabalhadores, Marinho respondeu: "Eu sou a favor de até cinco dias [de descanso]. Eu sou a favor que você trabalhe 1x6, 2x5, 3x4. Agora, que você tenha a possibilidade e a condição de fazer a sua escolha, e não uma imposição de cima para baixo".
O senador também defendeu o cumprimento do regimento do Senado, que, na sua interpretação, não permitiria a votação da proposta antes do segundo turno desta eleição presidencial, em 25 de outubro. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse no entanto, na terça-feira, 6, que as sessões de discussão devem ser realizadas até a semana que vem e, em seguida, será marcada a data para votação.