O bordão de Ana Paula — “olha ela!” — nunca fez tanto sentido: a jornalista é protagonista absoluta do ‘BBB26’.
Mas, apenas duas semanas após a estreia, a superexposição começa a gerar desgaste à imagem da participante e prejudica o interesse geral pelo programa.
Ao ser colocada como grande alvo da maioria do elenco, a jornalista ganhou aqui fora o status de campeã antecipada, como ocorreu com Juliette (BBB‘21’), Arthur Aguiar (‘BBB22’) e Davi Brito (‘BBB24’).
Para os devotados fãs de Ana Paula, virou o reality da super-heroína que tem a missão de eliminar, um a um, aqueles que ousam contrariá-la.
Aos que esperam mais do que isso, a repetitividade do ‘ela contra todos’ incomoda — e pode provocar a desistência de acompanhar a atração.
O ‘Big Brother Brasil’ precisa de rotatividade de protagonismo e diversidade de tramas. Tudo girar em torno de um único jogador pode esvaziar o entretenimento.
Para ser interessante do início ao fim, um reality show precisa apresentar múltiplos polos de tensão. Ao insistir em Ana Paula como eixo moral, antagonizada por um elenco quase decorativo, o programa deixa o jogo previsível e sem emoção.
Esse hiperfoco também empobrece os demais participantes, reduzidos a figurantes ou vilões genéricos. Personalidades complexas deixam de ser exploradas e conflitos paralelos são abortados antes mesmo de amadurecer.
Para evitar o fiasco, a edição precisa descentralizar o olhar, estimular outras histórias e devolver ao programa a sua melhor perspectiva: a imprevisibilidade.