Jornalista nervosa gesticula desesperadamente. Comentarista coça as partes íntimas. Apresentadora solta fala considerada racista.
Estas situações aconteceram recentemente na GloboNews.
Ao retroceder, lembramos ainda de uma gata de estimação atrapalhando comentarista, celular de âncora tocando ao vivo, repórter soltando palavrão, apresentadora dançando ao fundo do estúdio e até jornalista fumando no ar, entre outras situações indevidas.
Tornou-se comum, também, ver piadas no meio de debates, incompatíveis com a seriedade das pautas.
Não é exagero afirmar que todas essas situações resultam de um excesso de informalidade no canal de notícias.
Parece haver uma falta de protocolo. Por isso, alguns contratados se sentem tão à vontade a ponto de cometer gafes.
Algumas, aliás, repercutem mais nas redes sociais e na imprensa do que a linha editorial da emissora.
A GloboNews, às vezes, ganha ares de entretenimento popular. Uma situação grave que não deveria ocorrer, pois atinge a credibilidade do canal.
Mais do que episódios isolados, as recorrentes falhas sinalizam um problema estrutural de cultura interna e controle de conteúdo.
A direção precisa reavaliar com urgência os limites da espontaneidade. A leveza pode humanizar o jornalismo, porém, sem jamais sobrepor ao que importa: a notícia.
O público que recorre à GloboNews busca análise qualificada, sobriedade e confiança, valores que se enfraquecem quando o ambiente diante das câmeras transmite descuido e vira motivo de chacota.