Erika Hilton (PSOL-SP) entrou nesta quinta-feira, 12, com um processo contra Ratinho por conta de comentários transfóbicos que o apresentador fez contra ela durante um programa ao vivo no SBT na noite anterior. A deputada federal confirmou que entrou com um pedido para a suspensão do Programa do Ratinho e disse que recebeu um pedido de desculpas da presidente da emissora, Daniela Abravanel Beyruti.
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"Pedi para o Ministério das Comunicações uma suspensão por 30 dias do Programa do Ratinho por conta de falas transfóbicas", declarou Hilton ao programa no YouTube do jornalista Leo Dias.
Ao Terra, o Ministério das Comunicações confirmou que recebeu a representação administrativa encaminhada pela deputada, que "será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), seguindo os trâmites administrativos e legais cabíveis."
Em nota enviada à reportagem, o SBT declarou que as falas de Ratinho não condizem com a postura da emissora e que irá tratar o caso internamente. "O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores", diz o comunicado.
A deputada informou que não pretende entrar com um processo contra o canal de televisão por conta do comunicado que eles emitiram e de uma ligação que recebeu da presidente da emissora, Daniela Abravanel Beyruti, uma das filhas de Silvio Santos.
"Recebi uma ligação da Daniela Abravanel mais cedo. Ela falou comigo, trouxe a visão do grupo, pediu desculpas e falou que o programa era ao vivo. Então, não me parece que esse é um comportamento que representa o SBT e o Grupo Silvio Santos. É um caso isolado do apresentador Ratinho e vamos seguir atuando para que todos os assuntos sejam destinados a ele, tendo em vista essas respostas que foram recebidas e essa ligação da presidente da emissora."
"Nós tivemos uma conversa por telefone de quase 10 minutos. Ela foi muito gentil, muito educada. Eu disse para ela o quanto minha família sempre gostou muito do SBT e do Silvio Santos. Cresci vendo o SBT na minha casa. Ela ficou extremamente feliz e reiterou os pedidos de desculpa em nome da emissora", concluiu Erika Hilton.
Entenda o caso
A deputada federal Erika Hilton (PSOL) protocolou, nesta quinta-feira, 12, um pedido de investigação no Ministério Público Federal contra o apresentador Ratinho e o SBT por comentários transfóbicos do apresentador durante o programa ao vivo desta quarta, 11. A parlamentar pede, além do inquérito, a abertura de uma ação civil pública e a indenização de R$ 10 milhões.
O documento, ao qual o Terra teve acesso, aponta que Ratinho questionou a legitimidade da eleição de Erika como presidente da Comissão da Mulher e negou reiteradamente a identidade de gênero da parlamentar. No pedido, a parlamentar cita as falas do apresentador.
“Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, falou Ratinho.
Ele ainda diz que para “ser mulher, precisa ter útero” e reforçou o discurso preconceituoso ao questionar se Erika seria “deputada ou deputado”. “Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.
A representação ainda aponta que o enquadramento do discurso do apresentador à prática do crime de homotransfobia é nítido, pois foi um ataque dirigido, não só à ela, mas à toda a comunidade de mulheres e homens trans e travestis do país.