Para a Globo, essa foi uma Copa dos erros.
Consequência direta de uma decisão tomada em 2020, quando abriu mão da exclusividade na transmissão dos Mundiais seguintes.
Uma estratégia para economizar alguns milhões. O barato saiu bem caro.
A poderosa rede, até então protagonista absoluta na cobertura dos jogos, abriu brecha para a ascensão da CazéTV.
Impulsionado pela empresa LiveMode, o canal de Casimiro Miguel se destacou no Catar em 2022 e roubou completamente a cena agora em 2026.
A coluna elege as cinco maiores ‘bolas fora’ da Globo nesta Copa em que termina tão apagada quanto a Seleção Brasileira.
Incapacidade de ‘roubar a bola’ - A Globo possui uma estrutura várias vezes maior que a da Cazé TV, porém, por sempre ter sido líder e raramente ameaçada, não soube organizar um contra-ataque rápido e eficiente.
Ao longo das semanas do Mundial, não conseguiu criar e executar táticas para amenizar o protagonismo do adversário.
Ficou parada, assistindo, enquanto a bola passou entre suas pernas, como aconteceu com Danilo na dramática eliminação da Seleção pela Noruega.
Imitar (mal) a zoeira do rival - A CazéTV consolidou numeroso público ao oferecer descontração genuína.
Papo de amigos no bar, resenha de vestiário. Sem roteiro.
Já a Globo caiu na armadilha de tentar copiar a mesma ‘bagunça’ na ‘Central da Copa’ e na GE TV.
Resultado: cenas constrangedoras como a de Tadeu Schmidt e Fábio Porchat dançando em cima do sofá do cenário.
A internet não perdoou a forçação.
Passar recibo por sentir o golpe - A Globo usou peças publicitárias para debochar do ‘delay’ nas transmissões do canal de Casimiro.
O que seria uma vantagem da emissora — exibir as partidas sem o atraso no sinal — virou uma tentativa malsucedida de desqualificar o oponente.
Pior: foi gol contra, já que a CazéTV continuou a bater recordes nas transmissões exclusivas e gerar crescente audiência mesmo nos jogos divididos com a Globo.
O ‘delay’ se mostrou menos importante do que o ranço de muita gente contra a atitude esnobe da emissora.
A trapalhada com Virginia - Ter a maior influenciadora da web brasileira no ‘Domingão com Huck’ era uma ótima ideia. Tinha tudo para funcionar.
Poderia ampliar a repercussão da Globo nas redes sociais e atrair milhões de jovens que habitualmente não assistem à TV nem se interessam por eventos de futebol.
Mas a presença dela no vídeo se mostrou um equívoco. Esperava-se uma Virginia circulando nos bastidores da Seleção, conectada com o espírito da Copa.
O que se viu foi um quadro com roteiro frouxo, focado nela como celebridade, com cenas banais.
Desperdiçaram valiosa oportunidade. Inexplicável pisada na bola.
Fazer o óbvio ao invés de surpreender - Não há veículo de comunicação mais capacitado do que a Globo no Brasil.
Possui moderna infraestrutura, milionária verba de produção e grandes talentos para oferecer a melhor cobertura.
Mas o que vimos neste Mundial? Mais do mesmo.
A TV líder no Ibope não ousou, não inovou.
Mesmo sem o direito de exibir as 104 partidas, poderia ter furado o bloqueio pelas pontas, oferecer conteúdos exclusivos interessantes no pré e pós-jogo e envolver seus programas de maior audiência ao longo do dia.
Preferiu fazer o básico. E está provado que o básico não vence a Copa.
É imprescindível garra, atrevimento, criatividade, sair da zona de conforto para invadir a grande área.
A Globo, assim como o Brasil, ficou sem a taça.