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Roberta Miranda guarda mágoa de sertanejas

Cantora expõe feridas profundas e a decepção que remodelou sua visão da indústria, revelando a frieza de colegas diante de uma perda irreparável.

31 ago 2026 - 15h52
Resumo
Aos 69 anos, Roberta Miranda expressou profunda mágoa pela falta de apoio das colegas sertanejas após revelar um trauma do passado. A cantora compartilhou que perdeu um filho aos cinco meses de gestação ao ser agredida com um chute na barriga pelo homem que a estuprou na juventude. Decepcionada com a total indiferença e a ausência de solidariedade das artistas que sempre defendeu, a pioneira do gênero afirmou que não pretende mais se posicionar publicamente em favor de ninguém no meio musical.
Roberta Miranda guarda mágoa de sertanejas
Roberta Miranda guarda mágoa de sertanejas
Foto: The Music Journal

O universo da música sertaneja, muitas vezes revestido de glamour e camaradagem, esconde cicatrizes profundas. E poucas vozes conseguem desnudá-las com a mesma força e vulnerabilidade de Roberta Miranda.

Aos 69 anos, a artista que pavimentou caminhos para tantas mulheres no gênero, não hesita em compartilhar a dor de uma experiência traumática e a subsequente desilusão com suas pares de palco. É um desabafo que reverbera para além dos estúdios e palcos, tocando na essência das relações humanas e da solidariedade em um meio tão competitivo.

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A revelação de Roberta Miranda sobre a perda de um filho aos cinco meses de gestação, decorrente de uma agressão física, não foi apenas uma confissão pessoal; tornou-se um teste para a empatia dentro da cena sertaneja. E, segundo a cantora, o resultado foi devastador. A expectativa de um mínimo de acolhimento, uma mensagem de solidariedade, transformou-se em um vazio ensurdecedor.

"Quando eu disse que perdi o meu filho com chute na barriga aos cinco meses, não vi uma colega minha entrar no Direct ou em algum lugar pessoalmente para falar: 'Poxa, Roberta, sinto muito'. Isso para mim foi a maior decepção"

A Solidão de Uma Rainha

A mágoa de Roberta Miranda não é apenas um lamento; é uma declaração de princípios que ecoa no comportamento digital e na dinâmica das relações públicas entre artistas. Em um tempo onde o engajamento e as manifestações de apoio nas redes sociais são quase uma moeda social, a omissão de suas colegas foi ainda mais contundente.

"A partir deste momento não defenderei ninguém, não vou botar a minha cara para bater. As pessoas realmente me decepcionaram"

A dor da perda, que persiste em seu cotidiano, foi agravada pela indiferença, uma "faca cortando ao meio" para quem sempre se viu como uma defensora incansável das mulheres no sertanejo.

A artista, que sempre lutou para abrir portas e fortalecer a presença feminina no gênero, sentiu-se abandonada justamente por aquelas que deveriam ser suas aliadas.

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"Daí você tem essas mulheres como amigas e conta algo que dói todos os dias, que foi ter perdido meu filho com um chute na barriga, mas não encontra uma que se diz amiga, que te respeita e diz gostar de você, se solidariza com a minha dor. A partir daquele dia, você pode se acabar aqui que eu vou ficar quieta na minha. Isso foi muito ruim para mim"

O Passado que Não Cicatriza

A história por trás da perda gestacional de Roberta Miranda é ainda mais sombria, e veio à tona em entrevista ao programa Fantástico no ano anterior. A cantora compartilhou detalhes de uma juventude marcada pela violência, revelando ter sido vítima de violência sexual na adolescência, enquanto trabalhava como cantora em uma boate. Sua trajetória de vida, desde a fuga de casa aos 14 anos devido ao alcoolismo paterno, revela uma resiliência forjada em adversidades extremas.

"Meteu o revólver na minha cabeça e me estuprou. Quando meu filho estava com cinco meses e meio, ele me queria outra vez. Dei uma cadeirada nele. 'Agora não dá'.

Tinha um ódio dele tremendo. Foi quando ele deu um chute na minha barriga e matou o meu filho"

Essa narrativa brutal não apenas lança luz sobre o trauma persistente da artista, mas também levanta questões cruciais sobre a necessidade de apoio e acolhimento às vítimas de violência, especialmente em um cenário onde a sororidade deveria ser uma premissa inegociável.

A voz de Roberta Miranda, historicamente forte e marcante, agora canta uma melodia de mágoa, um lembrete contundente de que, mesmo no topo, a solidão pode ser a companhia mais amarga.

The Music Journal Brazil
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