Por que Izzy Stradlin saiu do Guns N' Roses, segundo biógrafo

Geoff Harkness, autor de 'Estranged: Guns N' Roses & Use Your Illusion', contextualiza a decisão do guitarrista de deixar a banda em 1991

9 abr 2026 - 14h14

A saída de Izzy Stradlin do Guns N' Roses em 1991, no auge do sucesso mundial da banda, permanece como um dos episódios mais intrigantes da história do grupo oriundo de Los Angeles, na Califórnia (EUA).

Izzy Stradlin, ex
Izzy Stradlin, ex
Foto: integrante do Guns N' Roses, em 1987 ( Paul Natkin / Getty Images) / Rolling Stone Brasil

Embora muitos associem o rompimento a conflitos internos, Geoff Harkness, autor da biografia Estranged: Guns N' Roses & Use Your Illusion (2026), oferece uma perspectiva que se baseia na aversão do guitarrista à fama.

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Segundo o autor, Stradlin nunca teve a ambição de pertencer a uma "megabanda". Para ele, a essência do grupo residia nos tempos de luta e cumplicidade, quando os membros viajavam num furgão e partilhavam as dificuldades do início de carreira.

À medida que o Guns N' Roses se transformava numa banda gigantesca que lotava estádios, com turnês enormes e uma estrutura de negócios cada vez maior, Izzy sentiu que o propósito original se tinha perdido, afirma Geoff.

Em entrevista recente ao canal Booked On Rock (via Ultimate Guitar), o biógrafo explica:

"Ele simplesmente não queria estar em uma megabanda. Ele queria algo mais parecido com os JuJu Hounds, que ele montou depois. Algo como: 'Podemos tocar em clubes, e é tudo mais tranquilo'. Acho que ele não gostava de viajar em um avião a jato como eles faziam. Ele não gostava do excesso."

Além disso, Geoff Harkness cita o vício em substâncias como sendo também um fator que teve certa contribuição na saída de Izzy Stradlin. Enquanto o restante da banda ainda lidava com o consumo pesado de drogas, Stradlin decidiu ficar sóbrio. O autor comenta:

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"No início do livro, Izzy ainda está festejando com o resto da banda. Mas, como é sabido, ele foi preso por urinar em um avião, e parte das condições judiciais era que ele seria submetido a exames toxicológicos regularmente por cerca de um ano. Então, ele teve que abandonar as drogas completamente. E acho que essa foi uma grande mudança para ele."

Geoff Harkness acrescenta:

"Ele disse que era muito difícil estar perto da banda sendo alguém que não usava drogas. Não é apenas tipo: 'Ah, tudo bem, cada um na sua'. Ele chegava para o ensaio e eles lhe ofereciam cocaína e coisas do tipo. E ele dizia: 'Caras, eu vou literalmente para a cadeia se for pego de novo'. Então, acho que, em parte, foi a sobriedade que realmente mudou as coisas para ele."

Slsah se chateou com saída de Izzy Stradlin

Apesar da saída ter sido uma decisão pessoal de Izzy, ela deixou cicatrizes em alguns colegas, como Slash. O guitarrista revelou em entrevista à Classic Rock (via site Igor Miranda) que sentiu um forte ressentimento na época. Ele explica:

"A saída em si não foi o problema. Não houve julgamento sobre nada disso. O comportamento de cada membro na vida pessoal não interessava, desde que ele fosse capaz de aparecer e fazer o show. A questão é que Izzy fez isso achando que a banda morreria."

Slash complementa:

"Minha atitude foi seguir em frente e assumir o controle. A atitude em si gerou um ressentimento, não entendia o que ele estava pensando. Ainda me sinto assim até hoje nesse tipo de situação."

Volta ao Guns N' Roses

Desde então, Izzy Stradlin manteve-se fora dos holofotes. Segundo Slash, houve uma tentativa inicial de tê-lo novamente na banda em 2016, quando da reunião com Duff McKagan e o próprio Slash, mas as conversas não prosperaram:

"Tivemos alguns problemas sobre os quais não quero me aprofundar. Tentamos fazer acontecer, mas não conseguimos chegar a um meio termo. Sendo assim, não rolou. Não falo com ele desde então."

Rolling Stone Brasil
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