Na avaliação de Ted Aguilar, guitarrista do Death Angel — banda de thrash metal oriunda da Califórnia, nos Estados Unidos —, o cenário do metal contemporâneo vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que abriga músicos com uma técnica sem precedentes, sofre com uma grave crise de identidade.
Em uma entrevista recente ao canal Pipeman (via Guitar.com), o músico refletiu sobre como o excesso de tecnologia e o isolamento na hora de aprender e compor têm tirado o "fator humano" e a originalidade das novas bandas.
Aguilar deixou claro que não se trata de uma crítica destrutiva, reconhecendo que a nova geração está "carregando a tocha" e mantendo o metal vivo. No entanto, ele pontua que o mercado está saturado e que as bandas soam parecidas demais.
"Não tenho nada contra as bandas de metal de hoje, e o bom disso é que existem muitas delas - talvez até demais às vezes. Elas estão carregando a tocha, mas está saturado. Eu cresci numa época em que o thrash metal, o Anthrax, soava diferente do Overkill, o Death Angel soava diferente do Testament."
Ele acrescenta:
"O meu problema com o metal de hoje — e isso é apenas a minha opinião, não é um desrespeito a essas bandas — é que eu não consigo distinguir quem é quem."
Talento na nova geração do metal
Curiosamente, comenta Ted Aguilar, a homogeneidade das bandas de hoje não acontece por falta de talento. Pelo contrário: o guitarrista rasgou elogios à habilidade dos novos músicos, afirmando que o nível técnico atual é de "outro patamar":
"Eu acho que no metal hoje em dia existem alguns músicos incríveis - tipo, meu Deus, eles poderiam nos dar um baile, e são muito talentosos."
O problema central, portanto, não está nas mãos dos músicos, mas na forma como eles se conectam. Teg Aguilar argumenta:
"Naquela época, você descobria seu instrumento junto com a banda: 'Vamos compor músicas. Vamos fazer covers'. O que tem na água hoje em dia que permite que vocês superem todo mundo? Mas geralmente são só os YouTubers e os influenciadores, enquanto naquela época você tinha que descobrir, vocês tinham que ter uma banda juntos. Há algo especial em estar juntos numa sala, com todos aprendendo uns com os outros, trocando ideias. Hoje estão tão acostumados a ficar sozinhos que não sabem como se conectar com outro músico."
O guitarrista do Death Angel conclui:
"Tudo tem seus prós e contras. Como tudo na vida. Você tem a tecnologia que permite compor riffs, enviar para alguém, a pessoa aprende e vocês gravam. Mas você ainda precisa estar numa sala… Existe uma sinergia no contato humano - você vê o rosto da pessoa, como ela se sente, o que ela contribui e talvez as discordâncias ou o que for."