North West assume o protagonismo em 'N0rth4evr'

Em seu EP de estreia, a artista de 12 anos transforma rage rap, emo e hyperpop em uma declaração de identidade surpreendentemente segura

4 mai 2026 - 09h21

Se ainda não estava claro que North West, herdeira do trono West-Kardashian, havia herdado um enorme poder de estrela, bastam cerca de 10 minutos para ela provar isso em seu EP de estreia. Em seis faixas diretas e eficientes, West passeia pelos estilos sonoros de sua geração — de riffs de nu-metal a 808s do rage rap — com uma confiança deslumbrante. Com apenas 12 anos, a estreia de North impressiona independentemente do pedigree famoso. Mesmo para a realeza da música, o talento ainda precisa se apresentar — e é exatamente isso que ela faz em N0rth4evr.

Foto: Reprodução/YouTube / Rolling Stone Brasil

O EP abre com "H0w Sh0uld ! f33l", escrito com a mesma excentricidade caótica dos títulos de músicas do Playboi Carti em Whole Lotta Red, e com duração de pouco menos de dois minutos. A canção começa em território emo, com um vocal em tom de canto que poderia ter saído de um lado B do Evanescence, antes de disparar em baterias aceleradas que se encaixam perfeitamente no universo da Slayyyter — um pop hiperativo influenciado pelos instintos musicais amplos da internet. "They don't see me, they just see the appeal", ela rima, de forma meio devastadora, enquanto os 808s estrondosos da música, que lembram Ken Carson, deslizam para um ritmo no estilo Jersey Club.

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Em "#N0rth4evr", o núcleo emocional do projeto fica exposto. Seria fácil descartar North como uma novidade até ouvir a angústia transbordando por baterias à la Slipknot, executadas com uma convicção impressionante. Aqui está a filha de um dos casais mais observados da história da cultura pop, exibindo uma autoconsciência muito além da própria idade. O primeiro single de North, "Piercing on My Hand", transformou o escrutínio público sobre suas escolhas de estilo em um hit certeiro; do mesmo jeito, as músicas do novo EP encaram as realidades de nascer na fama com um senso de urgência melódica.

https://www.youtube.com/watch?v=k0agRRNjFc4

"Como eu sou mais nova que você, mas sou eu quem você admira", ela rima com uma autoconfiança — francamente — merecida em "D!e". No espírito de ambos os pais, North já colocou a fama nas próprias mãos, ditando em seus próprios termos como vai se relacionar com um público cada vez mais apaixonado. Sua participação na faixa "Childlike Things", de FKA Twigs, do álbum do ano passado Eusexua, mostrou a confiança de West em sua visão criativa; ela chega a rimar em japonês ali, carregando um motivo presente ao longo do trabalho.

"Th!s t!m3" traz a sensibilidade emo do EP para o centro, fundindo suas influências sonoras variadas em algo coeso. Como produtora e curadora de som, North parece menos interessada em recriar o passado do que em metabolizar o caos do presente: guitarras ensurdecedoras, batidas pós-punk coloridas pelo brilho do longo rastro do hyperpop — tudo isso com o melodrama diarístico de uma geração criada online. A faixa de encerramento, "Aishite", soa como angústia adolescente destilada em sua forma mais potente. "Não dá pra ser amigo de ninguém, não dá pra deixar ninguém entrar", West rima, conseguindo tocar uma experiência universal da adolescência enquanto fala dos contornos de sua posição extremamente única.

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É essa tensão que torna N0rth4evr tão envolvente. Em vez de fingir anonimato ou mistério, ela abraça o fato de que sua vida é pública desde antes de ter qualquer poder de escolha. Mas, ao longo dessas seis músicas, ela começa a transformar essa herança impossível em matéria-prima, moldando o barulho ao redor em algo inegavelmente seu. N0rth4evr é breve, mas deixa uma impressão surpreendentemente duradoura: o som de uma jovem artista não apenas entrando no "negócio da família", mas começando a definir os termos da própria mitologia.

Rolling Stone Brasil
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