Seis anos e meio após o início da década de 2020, e com sua última incursão completa em Madame X (2019) ainda ecoando, a Rainha do Pop reemergiu em 3 de julho, entregando a aguardada sequência de um de seus discos mais reverenciados deste século, Confessions on a Dance Floor, de 2005. O resultado?
Uma estreia estrondosa no topo da Billboard 200, para os relatórios de 18 de julho, com impressionantes 134 mil unidades vendidas na primeira semana.
Este feito não só marca o melhor desempenho de Madonna em uma semana de lançamento desde MDNA (2012), mas também estabelece um novo recorde pessoal para ela em números de streaming. Com seu décimo álbum a alcançar o cobiçado primeiro lugar, Madonna se solidifica como uma das poucas artistas a emplacar dez álbuns no topo da Billboard Hot 100 e da Billboard 200.
Mas, afinal, como um ícone tão estabelecido conseguiu tal impacto em um estágio tão avançado de sua carreira? E o que essa proeza significa para a indústria musical e o comportamento do entretenimento?
O Impacto Irreversível de 'Confessions II'
A recepção de Confessions II não é apenas um sucesso comercial; é um fenômeno cultural. Chris Eggertsen, da Billboard, atribui uma nota 7 à importância desse feito para Madonna. Para ele, o legado da artista já está cimentado, mas este álbum representa um reencontro com a aclamada coerência criativa, lembrando ao público a estrela fascinante que ela sempre foi.
Lyndsey Havens, por sua vez, eleva a aposta para um 10, chamando a recepção de "deliciosa, emocionante e merecida". Havens destaca que, apesar dos fatores que apontavam para um sucesso (como o status de ícone e a continuidade de uma obra amada), o burburinho em torno do lançamento transcende o esperado, especialmente para o 15º álbum de uma artista.
Joe Lynch dá um 9, enfatizando não apenas o primeiro lugar, mas também os números recordes de streaming e o aumento de 60% nos novos ouvintes diários no Spotify durante o fim de semana de lançamento. Para Lynch, Confessions II não apenas atraiu fãs antigos, mas também conquistou novos, respondendo à dúvida se Madonna ainda poderia emplacar um sucesso massivo no mainstream após álbuns como Madame X.
Taylor Mims também avalia com 9, ressaltando que, embora as vendas físicas impulsionem posições na Billboard 200, o streaming é o epicentro do consumo musical atual. O recorde de streaming de Madonna após mais de 40 anos de carreira é uma prova cabal de sua capacidade de se conectar com novas gerações. Andrew Unterberger, com um 8, celebra o entusiasmo de fãs e críticos, que reforçam o interesse genuíno do público em Madonna, não apenas como uma jukebox de sucessos passados, mas como uma força artística relevante no presente.
A Força da Marca ou a Força da Arte?
A expectativa em torno de Confessions II foi inegavelmente impulsionada por sua associação com Confessions on a Dance Floor. Mas seria essa a única razão para o seu desempenho superior? Chris Eggertsen revela seu ceticismo inicial, temendo que o novo álbum fosse uma tentativa cínica de relevância. No entanto, ele se rendeu à qualidade do trabalho, destacando a coesão sonora e temática. "A marca 'Confessions' ajudou a gerar interesse? "
Lyndsey Havens concorda que a conexão com o álbum original contribuiu, mas aponta dois fatores ainda mais importantes: "a música é genuinamente ótima" e o "interesse intergeracional e até mesmo intergêneros em Madonna pode estar em seu auge".
Ela menciona a presença da artista em eventos como o Coachella e shows de Anyma, mostrando sua relevância contínua. Joe Lynch, por sua vez, argumenta que a "marca" não seria suficiente por si só. A expectativa cresceu porque "essas músicas maravilhosas remetem a Confessions sem repeti-las". Ele elogia a criatividade no lançamento, com entrevistas ao Grindr, estandes pop-up na Times Square e visuais na revista Interview, provando que um lançamento "à moda antiga" pode ser a nova tendência.
Taylor Mims reforça que Madonna esperou mais de 20 anos para revisitar o conceito, criando algo que "dialogasse com aquele álbum, e não apenas uma tentativa barata de lucrar com o hype". Andrew Unterberger conclui: "É um sucesso porque é um sucesso", creditando a qualidade intrínseca do lançamento.
O Próximo Clássico a Ganhar uma Sequência?
Inspirados pelo sucesso de Madonna, os especialistas especulam sobre qual outro álbum clássico dos anos 2000 poderia se beneficiar de uma sequência. Chris Eggertsen sugere uma continuação para Blackout, de Britney Spears. Apesar de ter sido subestimado na época, o álbum ganhou status de cult e uma sequência que refletisse sobre o período turbulento de Britney seria "um exercício fascinante".
Lyndsey Havens sonha com um sucessor para um álbum de Rihanna, talvez intitulado Bad Girl Gone Good (Again), o que aliviaria a pressão de um retorno completo e permitiria uma narrativa mais concisa após um longo hiato.
Joe Lynch aposta em Justin Timberlake. Após "alguns tropeços na carreira", o artista poderia se beneficiar de uma sequência de FutureSex/LoveSounds com o produtor Timbaland, lembrando ao público o porquê de o amarem. Taylor Mims propõe que Outkast causaria um grande impacto com uma sequência de Speakerboxxx/The Love Below (2003) ou até mesmo de Stankonia.
A capacidade de resgatar o som hip-hop/R&B do início dos anos 2000 atrairia uma vasta audiência. Andrew Unterberger, com um toque de humor, afirma que Madonna já deu a resposta: basta que Usher concorde em dividir o título.