O palco parecia montado para uma celebração apolítica, mas o pano de fundo dos shows Freedom 250 em Washington (EUA), desabou em um verdadeiro drama. O que começou como uma promessa de união e nostalgia, rapidamente se transformou em um "circo", nas palavras de Fab Morvan, a metade sobrevivente do icônico Milli Vanilli.
Sua decisão de abandonar o evento, revelada na última segunda-feira à CNN, marca mais um capítulo na controversa saga que viu uma debandada de artistas e um pronunciamento explosivo de Donald Trump. As informações são do Variety.
Até a semana passada, Morvan era um dos poucos entusiastas remanescentes, ao lado de Vanilla Ice. "Não foi para isso que me inscrevi", desabafou o músico. Sua mudança de postura foi gradual, desencadeada pela saída de outros nomes. "Quando vi que Young MC desistiu, pensei: 'Que estranho… O que ele sabe que eu não sei?' "
A promessa inicial de um evento focado em celebração, livre de amarras políticas, foi se desfazendo diante dos olhos dos artistas.
A intenção original de Morvan era clara: "Eu estava lá para unir as pessoas, para que elas relembrassem o passado, celebrassem a vida. Era uma forma de dizer: 'Ei, eu ainda estou aqui, vocês ainda estão aqui. '"
Contudo, o ambiente do "Freedom 250" azedou rapidamente. A neutralidade prometida deu lugar a uma atmosfera carregada, culminando nas declarações de Donald Trump, que, em seu Truth Social, sugeriu "cancelar tudo", referindo-se à série de shows.
A escalada de desistências começou com Morris Day, que horas após o anúncio, já negava sua participação. Em seguida, Young MC, Martina McBride, os Commodores e Bret Michaels seguiram o mesmo caminho. Freedom Williams, da C&C Music Factory, chegou a postar um vídeo ambíguo, enquanto Flo Rida manteve o silêncio.
A pressão aumentou quando Trump se referiu aos artistas como "cantores caros que ninguém quer ouvir, cuja música é chata", uma crítica que não poupou nem mesmo aqueles que ainda estavam a bordo. "
Para Fab Morvan, a situação atual ecoa um passado doloroso. "Eu caí, me levantei, me reinventei e segui em frente, e para muitos, sou um exemplo", disse ele, aludindo ao infame escândalo de playback do Milli Vanilli nos anos 1990. Sua experiência de ter uma narrativa "alterada repetidamente" o fez reconhecer os sinais de uma nova tempestade midiática.
A confusão em torno do Milli Vanilli, aliás, já havia começado com a declaração de Jodie Rocco, cantora que gravou vocais originais da banda, afirmando que ela e outros músicos não participariam, mesmo que Morvan detenha os direitos do nome e continue em turnê.
Enquanto isso, Vanilla Ice, o último remanescente convicto, defendeu sua participação na CNN, afirmando que seu objetivo era celebrar o país, não a política. "Eu tocaria para qualquer um. Eu tocaria para a família de Biden ou para qualquer pessoa. Não importa", declarou, reiterando sua postura apartidária.