A cantora Anitta, de 33 anos, refletiu nesta sexta-feira, 17, sobre como seu novo álbum de estúdio, EQUILIBRIVUM, com faixas baseadas em espiritualidade e religiões de matriz africana, conversa com temas da atualidade, principalmente em ano de Copa do Mundo e de Eleições para presidente da República.
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Segundo a cantora, o álbum traz um tom mais moderado sobre a vida, coisa que ela sente falta no discurso político atual. "Acho que as pessoas têm brigado muito por coisas que [não valem a pena]. Por isso, para mim, é tão importante aquela mensagem final do álbum. Eu acho que a gente tem sido muito extremista na nossa forma de se posicionar politicamente”.
“Eu sou uma pessoa que defende ideias, ideias que vão englobar as pessoas, que vão unir as pessoas, que vão apoiar as pessoas que têm mais dificuldades, menos oportunidades, apoiar as minorias. Eu nasci numa realidade pobre, tive que ralar muito pra chegar lá [no topo]. Às vezes as pessoas falam assim: ‘Viu, você chegou’. Pois é, mas é bem injusto porque eu tive que ralar 50 vezes mais que uma pessoa que nasceu numa realidade mais privilegiada”, contou ela, em coletiva, a qual o Terra esteve presente.
Em seguida, Anitta falou sobre a escala 6x1 e como sua música foi usada de maneira positiva para falar sobre o assunto. “Então eu tento dar voz a ideias,hoje o governo do Brasil postou no Instagram uma coisa com o álbum de EQUILIBRIVUM botando a capa do álbum e falando que equilíbrio é você poder aproveitar a vida e trabalhar, como eu mesma digo no álbum, a mensagem principal está lá, um exemplo é na música Deus. Eles usaram isso para falar da escala 6x1 e eu achei o máximo, escrevi lá: ‘Gente, assino embaixo’”.
“Então assim, eu defendo muito as ideias, só que eu acho que as pessoas hoje em dia, com essa coisa da internet, o algoritmo cria aquela bolha de pensamento, identifica que você tem aquele pensamento e vai te mostrando vários vídeos e conteúdos que ressaltam aquela ideia. No fim, as pessoas acabam presas em agradar o extremismo e se fecham pra ficar pra escutar o outro. Eu acho muito perigoso isso, porque ninguém fala merda 100% do tempo, as vezes, o que falta é a gente escutar e se apegar aqueles 1% de bom”.
Questionada se lançou seu álbum com intuito de provocar a classe conservadora, a cantora negou afirmando que não é o público que consome suas músicas, nem que compra ingresso para seus shows: “Foi pensando no meu momento e nos meus fãs”. Ela ainda enfatiza que, devido a isso, não sabe se o projeto tem poder para enfrentar o racismo religioso no País.
“Não sei se consegue enfrentar o preconceito, porque acho que as pessoas que já têm essa raiva, esse ódio dentro delas e não estão abertas para respeitar outro, para escutar. Acho que pode ajudar as pessoas dessas religiões a sentirem-se mais fortes", disse a cantora.