Sete anos após lançar Mais Que os Olhos Podem Ver, Jade Baraldo inicia um novo capítulo da carreira com Não Há Nada Mais Honesto Que Um Sonho.
O álbum chega depois de um longo período de transformações, marcado pela pandemia, pela passagem por uma gravadora major, pelo casamento, pelo divórcio e pela decisão de retomar o controle da própria trajetória artística.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, a cantora explicou como essas experiências deram origem ao trabalho mais pessoal de sua carreira. "O álbum nasceu durante um período muito ruim do meu casamento. A música veio para mim como uma salvação", contou.
Para Jade, escrever deixou de ser apenas um exercício criativo e se tornou uma forma de organizar os sentimentos e atravessar um dos momentos mais difíceis da vida.
A música como recomeço
Embora grande parte das canções tenha surgido durante o processo de separação, Jade afirma que não queria transformar o disco em um "revenge album". Segundo ela, as primeiras composições eram muito mais pesadas, mas, conforme o trabalho avançou, a intenção passou a ser contar uma história de superação.
"No começo ele era bem mais pesado, mas eu não queria dar ênfase àquilo. Queria contar essa história e mostrar que é possível superar sem virar uma pessoa fria."
A cantora acredita que o álbum representa um momento de maior maturidade, tanto artística quanto pessoal. "Comecei a viver um sonho que não era meu. Hoje sei muito mais o que quero e o que não quero."
Ela também falou sobre saúde mental e revelou que retomou a terapia e o acompanhamento psiquiátrico ao voltar para o Rio de Janeiro. Para Jade, é preciso naturalizar conversas sobre sofrimento emocional.
"A gente não dá tempo para viver o luto das coisas. Precisamos perder o medo de dizer: 'cara, eu estou mal, preciso de ajuda'."
Liberdade na carreira independente
Outro tema central da conversa foi a decisão de voltar ao mercado independente. Depois da experiência em uma gravadora major, Jade afirma que encontrou justamente na independência a liberdade necessária para realizar o disco da maneira como imaginava.
"Hoje tenho muito mais liberdade. Existe menos recurso, mas tenho autonomia para fazer exatamente o disco que queria."
Durante o processo criativo, a cantora escreveu mais de 60 músicas ao lado dos produtores Santin antes de chegar às 11 faixas do álbum. Parte desse material poderá ganhar uma edição deluxe, enquanto outras composições podem ser gravadas por diferentes artistas.
"Não quero deixar energia parada. Se eu não gravar algumas dessas músicas, espero que outros artistas possam cantar."
Inteligência artificial e o futuro da música
Questionada sobre o crescimento da inteligência artificial na indústria musical, Jade defendeu a criação de mecanismos que permitam identificar conteúdos produzidos por IA.
"Acho importante que exista uma identificação do que foi feito por humanos. A gente precisa saber o que está consumindo."
Apesar das mudanças tecnológicas, ela acredita que a criatividade continuará sendo o principal diferencial dos artistas. "A pessoa que realmente estuda música e tem uma identidade sempre vai se destacar."
Prazer em fazer música
Ao olhar para trás, Jade resume Não Há Nada Mais Honesto Que Um Sonho como um verdadeiro recomeço. Depois de um período em que chegou a perder o entusiasmo pela própria carreira, ela diz que voltou a encontrar prazer em compor.
"Eu estava perdendo a vontade de fazer música. Hoje voltei a sentir prazer. Foi um grande alívio perceber que ainda consigo fazer isso."
A artista admite que lançar um trabalho tão íntimo despertou ansiedade, a ponto de recorrer a medicação para enfrentar o dia da estreia, mas afirma que compartilhar essa história com o público era um passo necessário. "Foi importante relatar o que vivi."
Mais do que marcar o retorno após sete anos, Não Há Nada Mais Honesto Que Um Sonho simboliza o reencontro de Jade Baraldo com sua identidade artística e pessoal, transformando um período de dor em um novo começo.
Assista a entrevista completa da cantora no YouTube: