Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria) voltou a falar sobre um dos episódios mais marcantes de sua vida: a noite em que seu pai foi morto por sua mãe em legítima defesa, quando ela tinha apenas 15 anos. Em entrevista recente à The New York Times Magazine, a atriz afirmou que, apesar da gravidade do ocorrido, não se sente "assombrada" pela tragédia.
O caso aconteceu em 1991, na África do Sul, durante um episódio de violência doméstica. Segundo Theron, seu pai, Charles Theron, chegou em casa alcoolizado e ameaçando tanto ela quanto sua mãe, Gerda. A situação rapidamente saiu de controle.
A atriz relembrou que o comportamento agressivo do pai não era um episódio isolado, e que naquele dia específico a tensão já estava evidente. Após um desentendimento mais cedo, mãe e filha decidiram voltar para casa, momento em que Theron chegou a sugerir que elas se separassem dele.
Horas depois, o pai retornou ainda mais agressivo. De acordo com o relato, ele chegou a disparar contra a casa para entrar, deixando claro que pretendia matar as duas. Diante da ameaça iminente, Gerda pegou uma arma para se defender.
Mãe e filha se trancaram em um quarto e tentaram segurar a porta enquanto ele atirava. "Eu sabia que algo ruim ia acontecer", contou Theron. Em meio ao confronto, a mãe conseguiu reagir e atirou contra o marido, matando-o. O irmão dele, que também estava presente, ficou ferido.
Apesar da violência do episódio, a atriz afirma que nunca evitou falar sobre o assunto. Pelo contrário: vê na exposição uma forma de acolher outras pessoas que passam por situações semelhantes. "Essas coisas precisam ser discutidas, porque fazem com que outras pessoas não se sintam sozinhas", declarou.
Theron também destacou que casos de violência doméstica são mais comuns do que muitos imaginam e, frequentemente, não recebem a devida atenção. "Ninguém levava a situação da minha mãe a sério", disse.
Ao longo dos anos, a atriz transformou essa vivência em uma causa. Em 2008, ela foi nomeada Mensageira da Paz da Organização das Nações Unidas, com foco no combate à violência contra mulheres. Mais recentemente, também participou de iniciativas de apoio a vítimas durante a pandemia.
A vencedora do Oscar reforça que sua decisão de falar abertamente sobre o passado tem um propósito maior. "Quando isso aconteceu, eu achava que éramos as únicas pessoas passando por algo assim. Hoje sei que não é verdade", afirmou.
Fonte: People