O maestro e arranjador Cesar Camargo Mariano notificou extrajudicialmente a Universal Music Brasil em razão do recente relançamento do álbum Elis, de Elis Regina, originalmente gravado em 1973. O problema está na nova mixagem e remasterização da obra, processo realizado sem a consulta ou autorização do músico, que foi o diretor musical e responsável pelos arranjos do disco original.
Representado pela advogada Deborah Sztajnberg, Mariano alega que a intervenção na obra fere seus direitos patrimoniais e morais. Segundo a defesa, o trabalho de meses realizado por ele e Elis Regina para conceber a sonoridade e os conceitos musicais do álbum — dono de canções como "É com esse que eu vou", "Ladeira da preguiça", "Meio de campo" e "Folhas secas" — foi desconsiderado na nova versão (via Folha de S. Paulo).
Sztajnberg afirma:
"O maestro não quer ter seu nome associado a essa remasterização, porque destruíram a obra dele, ficou um Frankenstein."
A insatisfação de Camargo Mariano já havia sido manifestada publicamente nas redes sociais no final de março, quando ele descreveu ter ouvido o lançamento com "tristeza". Para o músico, as escolhas técnicas originais eram parte integrante da interpretação de Elis e não deveriam ser alteradas por terceiros.
Ele argumentou, à época:
"Este álbum de 1973 foi um dos álbuns mais emblemáticos, pessoal e profissionalmente, tanto para mim quanto para Elis. E como também me perguntam, imagino que Elis, profissional como era, também não estaria feliz com estas alterações e mutilações."
O projeto de relançamento foi capitaneado por João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina, que defendeu a iniciativa argumentando que a intenção era corrigir limitações técnicas da época e oferecer uma nova experiência sonora aos ouvintes.
Cesar Camargo Mariano é ex-marido e pai de dois dos três filhos de Elis Regina: Pedro Mariano e Maria Rita. João Marcello Bôscoli, por sua vez, é filho de Elis com o compositor Ronaldo Bôscoli.
Até o momento, a Universal Music Brasil declarou não ter recebido formalmente a notificação, embora a equipe jurídica de Mariano confirme o envio do documento por correio na última quarta-feira, 8. O objetivo da defesa é buscar um acordo que evite a judicialização do caso, preservando a integridade da obra original de 1973.