A longevidade no rock e no heavy metal não está mais atrelada somente ao talento, mas também ao condicionamento físico. É o que garante Lars Ulrich, baterista do Metallica, ao comentar sobre sua própria situação.
Ao participar de um festival de cinema na Califórnia, Estados Unidos, o dinamarquês compartilhou detalhes sobre como mantém o vigor necessário para enfrentar as exigentes turnês da banda.
Filho de um tenista profissional, Ulrich cresceu em um ambiente de alto rendimento no esporte. Ele citou esse histórico para traçar um paralelo entre o esporte e a música: enquanto atletas de elite como os tenistas Roger Federer ou Novak Djokovic começam a enfrentar questionamentos ao chegar aos 30 ou 40 anos e podem continuar competindo em torneios master depois de se aposentar, no rock não existe um "circuito sênior".
O baterista do Metallica refletiu (via Blabbermouth):
"Estamos na casa dos 60 anos competindo com garotos e garotas de 20 ou 30. Você precisa estar no seu auge."
Por conta disso, Lars admitiu que, hoje, trabalha muito mais duro do que antigamente para se manter em forma e poder continuar tocando bateria em alto nível com o Metallica:
"Eu chamo isso de escolhas de vida. Com certeza estou muito mais conectado e em sintonia com tudo isso. A maioria de nós está muito mais cautelosa em se colocar em situações de risco, ou em ter pessoas viajando conosco que possam nos ajudar a prevenir lesões, sejam nos ombros, joelhos, pulsos, pescoço, garganta ou qualquer outra parte do corpo. Então, tudo isso é uma tentativa de manter a forma. Além disso, estou um pouco mais magro do que há dez anos. Se meus pés estão mais leves, certamente tem a ver com o que eu chamo de escolhas de estilo de vida, que incluem dieta, exercícios e tudo mais."
Lars concluiu, citando que a ideia de tocar rock pesado aos 60 ou 70 anos era algo impensável quando a banda começou, na década de 1980:
"Quando começamos, não havia ninguém no rock com cinquenta ou sessenta anos; os caras mais velhos na época estavam na casa dos trinta — Paul McCartney, Mick Jagger e todos aqueles caras estavam literalmente perto dos quarenta. Então, a ideia de que você poderia tocar rock aos sessenta, setenta ou oitenta anos como McCartney e, digamos, Jagger fazem agora, era absurda. Isso não existia. Era quase a antítese do que o rock and roll representava. Nas palavras imortais de Pete Townshend e Roger Daltrey, do The Who: 'Espero morrer antes de ficar velho'. Então, quando você está fazendo isso aos sessenta e poucos anos e buscando se manter ativo e relevante por mais 10 ou 20 anos, você precisa estar por dentro de tudo isso."