A reação de SZA após descobrir que mais de 200 músicas suas foram usadas para treinar IA

Cantora encontrou os números numa base de dados especializada em rastrear treinamentos de inteligência artificial — e o que descobriu a deixou furiosa

22 jun 2026 - 09h01

SZA decidiu fazer uma busca simples: digitar o próprio nome numa base de dados especializada em rastrear quais músicas foram usadas para treinar modelos de inteligência artificial. O resultado não foi bom. A cantora compartilhou a descoberta nos Stories do Instagram, e o número que encontrou ajuda a explicar por que ela vem alertando sobre o assunto há anos — só que agora com dados concretos sobre o próprio catálogo.

Foto: Kevin Mazur/MG26/Getty Images para The Met Museum/Vogue / Rolling Stone Brasil

A busca revelou que 238 faixas de SZA foram utilizadas em conjuntos de treinamento de IA musical. Entre elas, segundo a própria artista, estariam até músicas que nunca chegaram a ser lançadas oficialmente, o que significa que material inédito, produzido e guardado em segredo, pode ter sido absorvido por sistemas de inteligência artificial sem qualquer autorização ou conhecimento prévio da cantora.

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"Acabei de checar e a IA musical treinou com 238 das minhas músicas. Tenho certeza de que algumas são inéditas. Se você é músico e apoia essa porcaria degenerada, você é nojento, e NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA ME DIZER PARA TORNAR ISSO ACEITÁVEL. Espero que você tenha a vida que merece", escreveu SZA.

A crítica de SZA à inteligência artificial não é nova, ela já tocava no assunto no álbum SOS (2022), na faixa "Ghost in the Machine": "Vamos falar sobre IA, o robô tem mais coração do que eu / o robô tem futuro, eu não". Em março deste ano, em entrevista à i-D Magazine, ela detalhou como a crise gerada pela IA afeta desproporcionalmente artistas negros, citando o caso de Olivia Dean: "Por que estou ouvindo covers de IA dela, quando ela acabou de lançar a música? Ela nem consegue receber os streams". A discussão ganhou ainda mais peso com o surgimento de Xania Monet, artista gerada por IA que assinou contrato milionário com gravadora e se tornou a primeira do tipo a entrar nas paradas da Billboard, caso que também recebeu críticas públicas de Kehlani.

O momento da descoberta de SZA chega num cenário em que a presença da IA na música cresce em ritmo acelerado: segundo a Deezer, 44% das faixas hoje enviadas à plataforma já são geradas por inteligência artificial, salto expressivo em relação aos 28% registrados em setembro passado. Ao mesmo tempo, Spotify e Universal Music Group assinaram um acordo de licenciamento que permitirá aos fãs criar covers e remixes com IA a partir de catálogos licenciados — um movimento que, para artistas como SZA, parece ir na direção exatamente oposta à proteção que ela vem pedindo.

Rolling Stone Brasil
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