SZA decidiu fazer uma busca simples: digitar o próprio nome numa base de dados especializada em rastrear quais músicas foram usadas para treinar modelos de inteligência artificial. O resultado não foi bom. A cantora compartilhou a descoberta nos Stories do Instagram, e o número que encontrou ajuda a explicar por que ela vem alertando sobre o assunto há anos — só que agora com dados concretos sobre o próprio catálogo.
SZA denounces AI music after discovering 238 of her songs were used to train artificial intelligence:
"If you're a musician and you support this degenerate sh*t? You're disgusting and there's NOTHING YOU COULD EVER SAY TO ME TO MAKE THIS OKAY" pic.twitter.com/FPltE2fsaC
— Pop Crave (@PopCrave) June 21, 2026
A busca revelou que 238 faixas de SZA foram utilizadas em conjuntos de treinamento de IA musical. Entre elas, segundo a própria artista, estariam até músicas que nunca chegaram a ser lançadas oficialmente, o que significa que material inédito, produzido e guardado em segredo, pode ter sido absorvido por sistemas de inteligência artificial sem qualquer autorização ou conhecimento prévio da cantora.
"Acabei de checar e a IA musical treinou com 238 das minhas músicas. Tenho certeza de que algumas são inéditas. Se você é músico e apoia essa porcaria degenerada, você é nojento, e NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA ME DIZER PARA TORNAR ISSO ACEITÁVEL. Espero que você tenha a vida que merece", escreveu SZA.
A crítica de SZA à inteligência artificial não é nova, ela já tocava no assunto no álbum SOS (2022), na faixa "Ghost in the Machine": "Vamos falar sobre IA, o robô tem mais coração do que eu / o robô tem futuro, eu não". Em março deste ano, em entrevista à i-D Magazine, ela detalhou como a crise gerada pela IA afeta desproporcionalmente artistas negros, citando o caso de Olivia Dean: "Por que estou ouvindo covers de IA dela, quando ela acabou de lançar a música? Ela nem consegue receber os streams". A discussão ganhou ainda mais peso com o surgimento de Xania Monet, artista gerada por IA que assinou contrato milionário com gravadora e se tornou a primeira do tipo a entrar nas paradas da Billboard, caso que também recebeu críticas públicas de Kehlani.
O momento da descoberta de SZA chega num cenário em que a presença da IA na música cresce em ritmo acelerado: segundo a Deezer, 44% das faixas hoje enviadas à plataforma já são geradas por inteligência artificial, salto expressivo em relação aos 28% registrados em setembro passado. Ao mesmo tempo, Spotify e Universal Music Group assinaram um acordo de licenciamento que permitirá aos fãs criar covers e remixes com IA a partir de catálogos licenciados — um movimento que, para artistas como SZA, parece ir na direção exatamente oposta à proteção que ela vem pedindo.