A diferença de idade entre Fátima Bernardes e Túlio Gadelha já foi tema de debates públicos desde o início do relacionamento, mas a própria jornalista revelou que a primeira pessoa a fazê-la refletir sobre essa questão foi a filha Laura Bonemer. Em entrevista ao jornal O Globo, durante participação no videocast Conversa Vai, Conversa Vem, a apresentadora contou que tinha receio de assumir o namoro com o deputado federal, 25 anos mais novo, até receber um conselho que a fez repensar suas próprias inseguranças.
Mãe dos trigêmeos Laura, Beatriz e Vinícius, frutos do antigo casamento com William Bonner, Fátima afirmou que decidiu compartilhar sua preocupação com os filhos antes de tornar o relacionamento público. A resposta de Laura, segundo ela, foi determinante para que passasse a encarar a situação sob uma nova perspectiva e se permitisse viver a relação sem o peso dos julgamentos.
Ao relembrar a conversa com os filhos, Fátima contou que admitiu estar preocupada com a diferença de idade entre ela e Túlio Gadelha. Foi então que Laura questionou se a mãe não estaria reproduzindo um preconceito frequentemente direcionado às mulheres.
"Quando contei aos meus filhos, disse: 'Tem uma coisa que me preocupa: ele é 25 anos mais novo'. E minha filha Laura me disse: 'E se fosse o contrário? Não está sendo preconceituosa?'. Criei filho para isso: para me dizer o que tenho que ouvir", relembrou.
A jornalista afirmou que o comentário da filha a levou a refletir sobre suas próprias convicções. "Me permiti outra experiência. Se fosse para ser igual, qual seria o sentido?", completou.
Críticas e etarismo
Durante a entrevista, Fátima também falou sobre as críticas que recebeu desde que iniciou o relacionamento com Túlio. Segundo ela, parte dos comentários sugeria que sua felicidade ou aparência estariam ligadas exclusivamente ao companheiro, algo que considera reflexo de um pensamento machista.
"Muitas pessoas diziam que eu estava mais bonita por causa dele e não por causa de uma boa relação minha comigo mesma. Sempre tem que atrelar a um homem", afirmou. A apresentadora disse ainda ter se surpreendido ao perceber que boa parte dessas críticas vinha de outras mulheres.
Apesar disso, ela afirmou preferir enxergar esses comentários com empatia. Para Fátima, muitas mulheres acabam reproduzindo esse tipo de comportamento por também terem sido alvo de julgamentos ao longo da vida. "A pessoa foi tão machucada que precisa atacar para se sentir melhor. Dou um desconto. Para mim, é libertador", declarou.
Uma relação baseada na troca
Namorando Túlio Gadelha há quase nove anos, Fátima afirmou que a diferença de gerações nunca representou um obstáculo para o casal. Pelo contrário, ela acredita que a convivência ampliou seus horizontes e proporcionou novos aprendizados, especialmente sobre política, área de atuação do companheiro.
"Nunca fui repórter de política. Hoje tenho um entendimento de coisas que via superficialmente. Tenho uma alma jovem, disposta a descobrir e fazer coisas. Isso nos aproxima. A gente é leve", contou.
A jornalista também revelou que, no início do relacionamento, chegou a temer que o desejo de Túlio de ser pai pudesse comprometer o futuro da relação. No entanto, disse que o assunto nunca foi tratado como uma exigência pelo deputado.
"Tive esse medo no início. Ele falou: 'Não é uma preocupação minha agora. Precisamos ficar preocupados?'. Vou deixar de aproveitar algo que está sendo bom para mim no momento porque um dia pode ser que...?", recordou.
Maternidade e carreira
Na conversa com O Globo, Fátima também revisitou momentos da maternidade e da carreira, destacando as diferenças de tratamento entre homens e mulheres na criação dos filhos. Ela relembrou que, quando William Bonner precisou cuidar sozinho dos trigêmeos por alguns dias, recebeu inúmeros elogios, enquanto a dedicação dela, que conciliava o trabalho com a rotina das crianças, era vista como uma obrigação.
A apresentadora reconheceu que contou com uma rede de apoio e privilégios ao longo desse período, mas afirmou que a maior cobrança vinha dela mesma. Hoje, com os filhos adultos, diz viver uma fase mais tranquila e sentir orgulho da independência conquistada por eles.
"Eu era tão neurótica para que se tornassem pessoas do bem, que hoje estou adorando ser mãe de adultos. Olho para eles e vejo que estão formados. Isso me dá uma paz de espírito", concluiu.