A visibilidade internacional do cinema brasileiro, potencializada por filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, vive um momento de forte expansão, refletido diretamente no aumento expressivo das coproduções com outros países. Dados recentes da Ancine (Agência Nacional do Cinema), compartilhados na coluna de Mônica Bergamo da Folha, mostram que os pedidos de Reconhecimento Provisório de Coprodução Internacional feitos por produtoras brasileiras independentes mais do que dobraram em apenas dois anos: foram 56 registros em 2023, 119 em 2024 e 140 solicitações em 2025.
Entre 2023 e 2025, o Fundo Setorial do Audiovisual investiu R$ 258 milhões em coproduções internacionais, viabilizando 115 novas parcerias para a realização de obras audiovisuais. Segundo a Ancine, parte dos efeitos desses aportes ainda deve se manifestar no futuro, devido ao tempo necessário para o desenvolvimento e a finalização dos projetos.
No mesmo período, foram concluídas 124 obras brasileiras independentes em regime de coprodução, conforme aponta o Painel de Coproduções Internacionais da agência. O recorde foi registrado em 2024, com 50 títulos finalizados e preparados para circulação tanto no mercado interno quanto no exterior.
O crescimento acompanha um período de maior destaque do Brasil no circuito global, impulsionado tanto por investimentos públicos quanto pelo reconhecimento em grandes premiações. Um dos exemplos mais emblemáticos é Ainda Estou Aqui, coprodução entre Brasil e França que conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, ampliando a atenção internacional sobre o audiovisual brasileiro. O impacto simbólico dessas conquistas também se reflete em prêmios individuais, como o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama vencido por Fernanda Torres, que reforça a força criativa do país.
Outro título que se soma a esse movimento é O Agente Secreto, coprodução com Alemanha, França e Holanda, que acaba de conquistar duas estatuetas no Globo de Ouro: Melhor Ator em Drama e Melhor Filme em Língua Não inglesa; e que já havia vencido três prêmios no Festival de Cannes no ano passado. Vale destacar também O Último Azul, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim de 2025.
Tudo isso amplia um reconhecimento que tende a ser colhido nos próximos anos, fortalecendo a imagem do Brasil como parceiro relevante e competitivo no mercado audiovisual internacional. Para o setor, o cenário reforça a importância de manter o cinema brasileiro ativo enquanto indústria e visível no mundo. A presença constante em festivais e premiações internacionais não apenas amplia o alcance da cultura brasileira, como também cria um ciclo virtuoso de investimentos, parcerias e novas oportunidades, fundamentais para o crescimento sustentável do audiovisual nacional.