Lorena Comparato detalha impacto físico e mental de interpretar Elize Matsunaga: 'Tive crises de choro'

Atriz também falou sobre o filme gerar debates sobre a riqueza, o armamento e a violência no País

29 jul 2026 - 04h58
Lorena Comparato e Henrique Kimura caracterizados como Elize e Marcos
Lorena Comparato e Henrique Kimura caracterizados como Elize e Marcos
Foto: NETFLIX

Um dos crimes mais chocantes dos anos 2000 acaba de ganhar um novo filme: 'Elize: Sombras de Uma Mulher' (Netflix) estreou no fim de julho e tem como intenção recontar o romance entre uma menina do interior e um herdeiro e diretor da indústria alimentícia que terminou em tragédia.

Com Lorena Comparato e Henrique Kimura nos papéis principais, a obra tem direção de Felipe Vellas e texto de Raphael Montes e Mariana Torres. Misturando realidade com ficção, alguns diálogos entre os protagonistas foram romantizados, mas outros detalhes da narrativa seguem à risca a história do casal que, apesar de parecer tradicional à primeira vista, tinha uma vida particularmente excêntrica.

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Em entrevista ao Terra, Lorena Comparato falou sobre o impacto físico e emocional de interpretar uma personagem tão complexa e tão conhecida pelo público brasileiro. De acordo com ela, as gravações foram realizadas em pouco mais de um mês, e os desafios ao longo do processo foram muitos.

“É um filme sobre um crime bárbaro, e a gente não pode deixar de dizer que a cena do crime foi um momento superdesafiador para todos nós”, iniciou ela, em entrevista exclusiva.

“A gente tinha ali uma equipe fantástica, uma arte absurda para construir todos aqueles cenários, usamos próteses para fazer o corpo do Marcos junto com o corpo do Henrique, caracterização, figurino, todo um cuidado muito grande com a luz, sabe? Então, a gente tinha quase uma orquestra que tinha que tocar junta numa cena tão densa, tão difícil.”

Lorena Comparato e Henrique Kimura durante cena do crime
Foto: NETFLIX

Outro momento da produção que ela destacou como impactante para o emocional foi quando Elize falou sobre os abusos que sofria quando era criança. “É uma cena [do longa-metragem] que me atravessa muito, quando ela finalmente conta que foi abusada pelo padrasto. Essa cena foi muito sensível”, falou ela.

“Lembro que, no processo, tive algumas crises de choro, tinha uns descarregos de emoção muito fortes, porque é complexo. Lembro também de chegar em casa exausta, cansada, tomar um banho e meio que liberar a energia para poder viver a vida de Lorena também", complementou a atriz.

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Para além dos desafios relacionados à mente, a Lorena Comparato também citou os perrengues físicos com que lidou. “[Foram muitos desafios ao longo da produção, por exemplo], eu estava com o cabelo loiro e a gente ficou bastante tempo na piscina, meu cabelo ficou verde. Nós tivemos que fazer todo um tratamento com leite dentro de um chuveiro para o meu cabelo voltar à cor".

"Também teve cena na chuva, com muito frio. Se reparar bem, tem cenas em que eu tremo, cena com cachorro, cena com cobra, cena com bebê, tudo isso é sempre muito delicado, sabe? Então, foram vários momentos [em] que me senti desafiada e, como atriz, adoro um desafio, mas, ao mesmo tempo, acho muito bom esses desafios estarem apenas no meu trabalho.”

Os detalhes ‘invisíveis’ de Elize

Lorena Comparato e Henrique Kimura caracterizados como Elize e Marcos
Foto: NETFLIX

Lorena Comparato, por sua vez, prefere não emitir opinião pessoal sobre a personagem que interpretou. Todavia, reconhece que é um trabalho que possibilita levantar alguns debates importantes para atualidade.

“Esse filme fala muito sobre ciclos da violência, em muitos sentidos. A gente tem uma personagem aí que sofreu uma violência brutal desde pequena: o abandono do pai, tem o abuso do padrasto, e essa mulher que se torna prostituta ao longo do caminho, mas tem esse sonho de ter marido, de ter filho, de ter família.”

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“Ela conhece o Marcos, eles se apaixonam e começa o que seria uma história de amor, mas a dinâmica entre eles ali é muito tóxica. Então, acho que esse filme fala de diferentes temas, como dinâmicas tóxicas de relacionamento, [além de vários recortes sociais], como recortes de gênero, de raça, de classe social, resvala um pouco na prostituição, fala muito também dessa violência velada e não dita, que não necessariamente é a física, mas que consegue te destruir por dentro.”

A atriz aproveitou para comentar sobre os temas que podem passar despercebidos ao longo da obra.

“Esse filme também aborda temas importantíssimos, como o machismo, o desarmamento, que eu acho que não necessariamente estão frisados, mas a gente fala aí de um casal que tinha um quarto com 30 armas.”

Fonte: Portal Terra
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