Com 'Justiça Artificial', Chris Pratt volta a olhar com otimismo para uso de IA

Longa-metragem relativiza o uso da inteligência artificial como juíza, promotora, jurada e carrasca em julgamentos em futuro distópico

24 jan 2026 - 12h44

Foi em 2025 que o ator Chris Pratt, em entrevista ao Estadão sobre o filme The Electric State, deu seus dois centavos sobre as questões envolvendo inteligência artificial em Hollywood. O tema estava quente, cada vez mais em alta, e Pratt não conseguiu escapar do questionamento ao protagonizar um filme sobre um mundo dominado por robôs. Para ele, o problema não era a tecnologia, mas quem a comanda - ou seja, as pessoas. É uma posição ousada, principalmente em uma Hollywood que olha cada vez mais com reservas para a IA no cinema. Pratt, porém, não parece estar muito preocupado com isso.

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Afinal, estreou na última quinta-feira, 22, mais um filme protagonizado por ele e que coloca panos quentes nessa discussão. Justiça Artificial, dirigido por Timur Bekmambetov (Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros) e roteirizado por Marco van Belle (Arthur e Merlin), fala sobre um mundo distópico em que a Justiça é comandada por uma IA.

Na trama, o detetive Chris Raven (Chris Pratt) é acusado de matar a esposa. A partir disso, ele precisará provar, em apenas 90 minutos, que é inocente para um tribunal comandado e formado por uma única inteligência artificial (interpretada por Rebecca Ferguson, em uma das atuações mais estranhas de sua carreira). É um Minority Report, filme de Steven Spielberg sobre um sistema que prevê crimes, mas com a IA tomando conta da Justiça. Seria algo possível? Ou, indo além, seria um mundo em que a justiça de fato prevalece?

Começa com ironia, termina com seriedade

Logo de cara, nos primeiros minutos, Justiça Artificial parece tratar esse mundo distópico com certa ironia. Diz que a cidade em que o filme se passa estava mergulhada no caos e que foi essa IA, assim como policiais "anjos azuis", que ajudaram a resolver o problema.

Dá um certo conforto. Ainda mais quando a primeira meia hora é eficaz em trabalhar a ação na tela, mesmo com Pratt preso em uma cadeira em boa parte do filme. Bekmambetov, que já dirigiu cenas icônicas de ação como Abraham Lincoln brigando com um vampiro no topo de um trem em chamas, sabe orquestrar o caos. É interessante ver o detetive vivido por Pratt desesperado, tentando driblar essa tecnologia que ele ajudou a pôr na rua. Parece que não há saída e que o filme vai seguir por um caminho trágico, infeliz.

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Mas não dá para só embarcar na ação e ignorar a mensagem.

Os problemas surgem quando van Belle coloca respostas exageradas na tela. Tenta encaixar o que não dá pra encaixar, cria situações desnecessárias e, acima de tudo, se enrola ao tentar dar coerência no caos. O pior, porém, é quando aquele começo irônico sobre uma Justiça feita de IA some. E volta à mente o discurso de Pratt ao Estadão no ano passado: tiram a complexidade desse domínio da inteligência artificial, até mesmo nos tribunais, e culpam apenas os seres humanos. Há até uma conversinha entre personagens pra deixar isso ainda mais didático. Oras, qual é o problema de um tribunal de IA? Culpem as pessoas!

É a fala de Pratt colocada em prática. Enquanto nomes como Mark Ruffalo, Cynthia Erivo, Ben Stiller, Ron Howard e Taika Waititi assinaram carta pedindo proteção forte de copyright contra uso não autorizado de obras para treinar IA e outros até mesmo estão colocando direitos autorais em suas imagens, como Matthew McConaughey.

Chris Pratt, enquanto isso, embarca em filmes que acham razoável uma Justiça feita com IA, que o problema é o ser humano e por aí vai. Pode parecer bobagem, mas é um posicionamento firme do ator de Guardiões da Galáxia, que vira uma espécie de embaixador da tecnologia em Hollywood.

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