Fomos enganados, e é hora de admitir. Durante anos, o boom das academias foi recebido com entusiasmo: ter instalações esportivas onipresentes e acessíveis para nos ajudar a sair da rotina sedentária só pode ser visto como algo positivo.
No entanto, a forma como o esporte foi introduzido em nossas vidas é profundamente problemática: conseguimos criar um "modelo compartimentado" de atividade física que está falhando em todas as frentes.
Então "ir à academia" não funciona?
Não, não é isso. Não é o que as evidências mostram. Exercícios intensos são úteis. Muito úteis. E são sempre melhores do que não fazer nada: mas a ideia de ir à academia por uma hora e pronto ignora que a unidade relevante não é a hora na academia, mas o padrão energético de 24 horas.
Vamos colocar de outra forma: por que os Hadza não queimam mais calorias do que trabalhadores de escritório, apesar de caminharem 12 km por dia? Por que os programas de academia para perder peso decepcionam sistematicamente? Ou por que a OMS começou a separar "fazer exercício" de "ficar menos sentado"?
A resposta para essas três perguntas é a mesma: a biologia evolutiva do ser humano.
Duas linhas de pesquisa que convergem para o mesmo ponto
Entre 2012 e 2018, uma equipe da Universidade Duke, coordenada por Pontzer, descobriu que o corpo não simplesmente adiciona o gasto energético do exercício à taxa metabólica basal. O que ele faz é compensar isso, reduzindo o gasto em outras funções vitais, como processos inflamatórios, ...
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