Em um diálogo com Antístenes sobre a amizade, o filósofo Sócrates questionou se os amigos possuem um preço estipulado, comparando a situação ao valor atribuído aos escravos na Grécia Antiga. Enquanto seu interlocutor admitiu que pagaria quantias distintas por pessoas diferentes, a provocação socrática visava ir além do aspecto material para socorrer um amigo em dificuldades financeiras, propondo que o essencial nas relações não é mensurar quanto os outros valem, mas sim o seu valor para eles.
Sócrates era muitas coisas, mas, acima de tudo, era um provocador. Um dia, enquanto conversava na rua, olhou para Antístenes e perguntou: "Os amigos têm um preço, como os escravos?"
Imagino que Antístenes tenha ficado um pouco desconcertado. Mas, enfim, já sabia como o velho agia e, além disso, Sócrates não lhe deu muito tempo para pensar. Continuou falando e explicando que, enquanto um escravo podia valer duas minas, outro valia meia mina, e um terceiro, cinco ou dez. Nícias, que devia ser alguém muito conhecido, chegou a pagar um talento por um capataz para suas minas de prata.
A mesma coisa acontecia com os amigos? Parece uma pergunta simples, quase absurda. Mas tentamos respondê-la há 2.400 anos.
Antístenes, que mais tarde seria um dos fundadores da escola cínica, respondeu que, de fato, gostava de alguns mais do que de duas minas, enquanto outros não valiam nem meia mina para ele. Por outros, pagaria o que não tinha.
Naquela época, segundo os registros de obras do Erecteion, o salário diário era de um dracma. Uma mina equivalia, segundo acreditamos, a cem dracmas. Isso nos dá uma ideia do valor que Antístenes atribuía às suas amizades. Mas Sócrates não estava fazendo um inventário.
Um dos amigos de Sócrates estava passando por dificuldades. Muitas dificuldades. Os problemas financeiros o atormentavam e ele vivia angustiado. Mas Sócrates tinha muitos amigos e, em particular, um deles era amigo dos dois. Era amigo de ambos, sabia que o pobre coitado estava passando por ...
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