Descoberto planeta "gêmeo" da Terra onde dia e noite não têm fim

Astrônomos descobriram mais um exoplaneta. Chamado Speculoos-3b, o mundo fica a 55 anos-luz e foi detectado enquanto passava à frente da sua estrela

15 mai 2024 - 20h45
(atualizado às 22h54)

Mais um planeta "irmão gêmeo" da Terra foi encontrado. Pesquisadores liderados por Michaël Gillon, astrônomo da Universidade de Liège, na Bélgica, encontraram o exoplaneta Speculoos-3b a cerca de 55 anos-luz da Terra conforme passava à frente da sua estrela, uma anã vermelha que é 100 vezes menos brilhante que o Sol. 

Foto: NASA/JPL-Caltech / Canaltech

O planeta tem tamanho semelhante ao da Terra e orbita sua estrela a cada 17 horas, ou seja, nossos dias são mais longos que os anos por lá. Apesar de os anos serem curtos em Speculoos-3b, os dias e noites não têm fim. 

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"Acreditamos que o planeta tem rotação sincronizada, de modo que o mesmo lado, chamado de lado diurno, está sempre voltado para a estrela, assim como a Lua faz com a Terra. Por outro lado, o lado noturno ficaria preso em uma escuridão sem fim", disse Gillon.

Speculoos-3b orbita uma estrela anã vermelha ultrafria, categoria que inclui cerca de 70% das estrelas da nossa galáxia. Como têm brilho fraco e estão dispersas pelo céu, os astrônomos precisam passar algumas semanas observando-as antes de detectar planetas passando por elas.

O exoplaneta SPECULOOS-3 b está tão perto da sua estrela que recebe grande quantidade de radiação, e dificilmente teria uma atmosfera (Imagem: Reprodução/ NASA/JPL-Caltech)
Foto: Canaltech

Como queimam o combustível mais devagar e vivem mais tempo, alguns dos planetas orbitando estas estrelas podem até ser quentes o suficiente para permitir a ocorrência de vida. Mas não é o caso de Speculoos-3b: como fica extremamente perto da estrela, ele recebe 16 vezes mais radiação a cada segundo do que a Terra, o que impediria a formação de uma atmosfera. 

Este é o segundo sistema planetário descoberto ao redor de um sistema do tipo. O primeiro foi Trappist-1, sistema formado por sete planetas rochosos viajando ao redor de uma estrela vermelha e fria, a 40 anos-luz da Terra.

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O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

Fonte: Nature Astronomy, Astrofísica de Canarias

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