Alfred Nobel: há 180 anos, nascia o inventor da dinamite e de prêmio da paz

Testamento declarava que toda a sua fortuna deveria ser investida no Prêmio

21 out 2013 - 07h13
(atualizado às 07h27)
<p>A dinamite e o Prêmio Nobel são apenas parte do legado do inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896)</p>
A dinamite e o Prêmio Nobel são apenas parte do legado do inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896)
Foto: Getty Images

Em 21 de outubro de 1833, há 180 anos, nasceu em Estocolmo, na Suécia, um Alfred que legaria seu sobrenome à ciência. Responsável por 350 patentes em diferentes países, o químico, inventor e empreendedor instituiu em seu testamento o Prêmio Nobel, que reconhece anualmente as contribuições de grandes homens e mulheres em diversos campos do conhecimento.

Ao falecer, em 1896, Nobel deixou toda a sua fortuna para a criação de um fundo que premiaria aqueles que “no ano anterior, foram responsáveis pelos maiores benefícios à humanidade”. Inventor da dinamite, o cientista fez questão de estabelecer, entre os prêmios anuais, um que homenageasse a busca da paz. Lê-se, em seu testamento: “para a pessoa que fez o melhor trabalho em prol da fraternidade entre as nações, em prol da abolição ou redução dos exércitos permanentes e em prol da realização de congressos de paz”. Os outros prêmios instituídos foram o de física, o de química, o de fisiologia ou medicina e o de literatura.

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A dinamite e o Prêmio Nobel são apenas parte do legado do inventor. Nobel pode ter sido ainda o primeiro “químico verde”, de acordo com o Adélio Machado, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, de Portugal. A química verde é aquela que busca dirimir os impactos negativos da química industrial, da fabricação de produtos químicos e de sua utilização na saúde humana e ecológica.

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“O trabalho de Nobel foi desenvolvido com essa mesma atitude, embora inadvertidamente quanto à filosofia adotada – meramente porque os explosivos eram tão perigosos, que, se não procurasse meios de atenuar os perigos, os produtos seriam inutilizáveis”, explica o professor. “Pode-se dizer, afinal, que Nobel foi o inventor da ‘química verde’. Foi forçado a inventá-la para vender seus produtos... Teve de passar mais de um século até se reconhecer a importância dessa atitude – e se começar a adotá-la na prática da química”.

Na verdade, a química daquela época era bem diferente da que conhecemos hoje. "Alfred Nobel não deve ser designado como um químico com o significado atual (químico puro). Sua formação e mentalidade tinham forte componente tecnológico, que vigorava na química do século 19”, avalia Machado.

Conforme o professor, os químicos tinham, até o fim do século 19, dois objetivo básicos: por um lado, obter compostos que suprissem as necessidades do homem no quadro da civilização tecnológica decorrente da Revolução Industrial - e processos para realizar a respectiva fabricação industrial; por outro, compreender como ocorriam as reações químicas, a estrutura e as características dos compostos formados.

A primeira se tratava de química aplicada (tecnologia), invenção de sistemas artificiais com a utilidade de melhorar a vida do homem. A segunda era a química pura (ciência), compreensão do modo como funcionam os sistemas naturais. “Só nas últimas décadas do século 19 e nas primeiras do século 20, ocorreu avanço suficiente de conhecimento nesse segundo campo para que a ciência química se ‘separasse’ da tecnologia química”, explica.

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Infância

Alfred era o quarto filho de Karolina Andriette e Immanuel Nobel, inventor e engenheiro. Nascido em uma família ligada à ciência, o garoto logo se interessou pelo assunto. Após fracassos comerciais em Estocolmo, seu pai mudou-se para São Petersburgo, na Rússia, e se tornou um fabricante de explosivos e ferramentas. Esse nicho industrial captou a atenção de Nobel, que se dedicou mais tarde ao estudo de manufatura e aplicação segura da nitroglicerina.

Com a empreitada bem-sucedida do pai, o garoto Nobel pôde ser enviado a tutores particulares, com os quais aperfeiçoou seu conhecimento de química e idiomas – adquiriu fluência em inglês, francês, alemão e russo. Mais tarde, ainda jovem, Nobel estudou química com Nikolai Zinin antes de se transferir para Paris e aprofundar seus estudos. Aos 18, migrou para os Estados Unidos a fim de se especializar na área e, em 1857, patenteou sua primeira invenção, um medidor de gás.

Explosivos

Os negócios da família, na produção de explosivos e armamentos, renderam-lhe grande fortuna e nortearam suas atenções e invenções. Em 1864, após perder um irmão em uma explosão em uma de suas fábricas, buscou reduzir todos os riscos inerentes ao processo de produção. Três anos depois, em 1867, patenteou a dinamite, substância de aplicação mais segura do que a nitroglicerina. Sua criação logo começou a ser utilizada na construção de estradas, túneis e canais. Nos anos seguintes, tratou de aperfeiçoar ainda mais os explosivos.

“No fundo, a grande contribuição de Nobel (para a tecnologia) foi a invenção de processos de libertação controlada da energia química concentrada em moléculas/compostos muito energéticos de forma a obter a chamada energia útil para o homem – energia que permitisse a realização de trabalho”, sintetiza Machado. “Por exemplo, túneis de caminho de ferro que levavam anos a perfurar com trabalho braçal (pá e picareta), passaram a ser feitos em meses (com dinamite)”.

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Obituário

Em 1888, a morte de outro de seus irmãos, Ludvig, na França, acarretou a publicação de alguns obituários errôneos nos jornais. Diários franceses informaram que era Alfred Nobel quem havia falecido. Assim, essa situação trágica lhe impôs a leitura de um obituário de si mesmo, em francês, que dizia no título: “O mercador da morte está morto”.

Mas ele estava vivo. E ainda não tinha redigido seu testamento. Alfred Nobel faleceu oito anos depois, em 10 de dezembro de 1896, em San Remo, na Itália. “Meu lar é onde eu trabalho, e eu trabalho em todo lugar”, dizia. No ano de sua morte, possuía 90 fábricas, 350 patentes e participação em outros negócios de seus irmãos. Solitário, não confidenciou a ninguém sobre seu plano. Ninguém podia imaginar onde aquele dinheiro todo iria parar.

O testamento, finalizado um ano antes, declarava que toda a sua fortuna deveria ser investida no Prêmio Nobel, que reconheceria as maiores contribuições à humanidade – inclusive em prol da paz – e se transformaria em sinônimo de prestígio e objeto de desejo das grandes mentes do planeta. Por essa, nem família, nem amigos, nem obituários esperavam.

GHX Comunicação
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