Anomalia magnética no Brasil aumenta e já preocupa a Nasa

Relatório de agências dos EUA e Reino Unido aponta que a região enfraquecida do campo magnético da Terra está indo para direção Oeste

27 mai 2024 - 10h53
(atualizado às 14h43)
Resumo
O relatório do governo dos Estados Unidos constata que a Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas) está se expandindo, o que pode acarretar riscos para a saúde humana e interferências na propagação das ondas de rádio, e também para satélites, que podem ser afetados pela radiação proveniente da anomalia.
Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) é monitorada por agências espaciais mundiais
Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) é monitorada por agências espaciais mundiais
Foto: Divulgação National Oceanic and Atmospheric Administration / Perfil Brasil

Um relatório feito pelo governo dos Estados Unidos mostra que uma anomalia magnética no Oceano Atlântico Sul, que cobre o sul e o sudeste do Brasil, está se expandindo. 

A Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas), monitorada por agências governamentais internacionais, está localizada no Atlântico Sul, numa parte que a magnetosfera, que envolve o planeta Terra, é mais fraca.

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De acordo com o relatório, a anomalia magnética aumentou em 5% e está se movendo em direção ao Oeste.

“Esse contorno se aproxima da região onde é mais provável que ocorram danos por radiação nos satélites”, disseram os autores, em relatório.

As informações coletadas também ressaltaram que a anomalia pode causar diversos impactos, desde possíveis danos aos satélites, por conta de radiação excessiva, até a interferência na propagação das ondas de rádio.

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Com o crescimento da Amas e sua proximidade com a América do Sul, a proteção magnética da Terra nessa região foi reduzida. Além do Brasil, ela também está abrangendo uma área que chega até a África.

A magnetosfera desvia a energia prejudicial à vida na Terra, mantendo a maior parte dessa energia a uma distância segura da superfície terrestre em regiões em forma de rosca, conhecidas como cinturões de Van Allen.

Quais são os riscos da anomalia?

A intensidade do campo magnético nessa área é aproximadamente um terço da média no restante do planeta. A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) disse, em 2020, que grupos de pesquisa estão observando a AMAS para diversos propósitos, inclusive para ajudar em possíveis desafios no futuro, que podem ser enfrentados por satélites e humanos no espaço.

Apesar da anomalia não ocasionar riscos para a saúde humana na Terra ou durante atividades diárias das pessoas, ela impacta satélites e cria problemas na propagação de rádio, o que é agravado pelo seu crescimento, segundo o novo relatório.

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A Amas está sendo acompanhada pela Agência Espacial Europeia (ESA), junto com a Nasa, e agora pelo Brasil, com o lançamento do nanossatélite NanosatC-BR2com, com a missão de monitorar a anomalia.

Marcel Nogueira, doutor em Física e pesquisador do Observatório Nacional, disse à Agência Brasil que como a região tem um campo magnético enfraquecido, é mais fácil de entrar partículas do vento solar, além de intensificar o fluxo de partículas carregadas que passam por aquela área.

Ele explica que essa situação faz com que satélites tenham que ficar em desligar temporariamente alguns dos componentes para evitar perdas e não queimar nada, toda vez que passaram pela região.

"Porque a radiação, principalmente elétrons, nessa região é muito forte. Então é de interesse das agências espaciais monitorar constantemente a evolução dessa anomalia, principalmente nessa faixa central", disse.

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Fonte: Redação Byte
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