Acreditávamos que, quanto mais processado fosse um alimento, pior ele seria. A nutrição está complicando essa ideia

A escala Nutri-Score não atende às necessidades dos consumidores para saber o que estão comendo

22 out 2026 - 17h09
Resumo
Estudos recentes desafiam a ideia de que todo alimento ultraprocessado é prejudicial à saúde. Uma pesquisa com 13 mil produtos na Itália revelou grande variabilidade nutricional na categoria, mostrando que o grau de processamento não determina sozinho o impacto no organismo. Cientistas de Harvard apontam que, embora carnes processadas e bebidas açucaradas elevem o risco de doenças como diabetes, a densidade energética e o perfil nutricional são fatores mais decisivos que a classificação fabril.
Ultraprocessados
Ultraprocessados
Foto: Gonzalo Ruiz (Pexels) / Xataka

Nos últimos anos, o termo "ultraprocessado" se tornou o grande vilão da nutrição moderna. O sistema NOVA, que classifica os alimentos de acordo com seu grau de processamento industrial, ganhou força tanto nas políticas de saúde pública quanto na percepção geral. No entanto, as evidências científicas mais recentes começam a revelar uma escala de tons de cinza, na qual nem tudo é ruim nem tudo é bom simplesmente por sair de uma fábrica.

Uma análise recente publicada na revista Foods ilustra esse problema de categorização. Após analisar mais de 13 mil produtos do mercado italiano, os pesquisadores confirmaram que quase dois terços dos ultraprocessados tiraram nota ruim no Nutri-Score, recebendo D ou E, com os snacks apresentando os piores resultados.

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Mas eles descobriram uma enorme variabilidade interna, já que o nível de processamento, por si só, não basta para prever o impacto de um alimento. Nesse contexto, a densidade energética, a hiperpalatabilidade e o perfil nutricional desempenham um papel decisivo que a classificação generalista tende a ocultar.

Essa heterogeneidade tem um impacto clínico direto, pois, nos últimos anos, grandes estudos epidemiológicos demonstraram que nem todos os subgrupos de ultraprocessados se comportam da mesma maneira em nosso organismo. Estudos da Universidade de Harvard indicam que, embora o consumo de bebidas açucaradas, carnes processadas e pão refinado aumente consideravelmente o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e doenças ...

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