Em primeiro lugar, é preciso compreender que filosofia e prática são indissociáveis - mesmo na cultura ocidental.Mas, pelo fato de, ao contrário de nós, os orientais não separarem o corpo, a mente e o espírito, todas as suas cerimônias, artes e lutas têm uma função filosófica. Assim, práticas aparentemente tão distantes quanto o ikebana (desenvolvimento de arranjos florais) e a acupuntura podem ter uma relação profunda.
A professora Maria Ângela Soci, da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental, usa como exemplo o Tai-Chi: "Essa dança simula um indivíduo cercado por 16 pessoas, e se defendendo. O praticante fica quieto, e espera. Ele não agride, pois assim ele não se expõe. Ao contrário, quando o outro o agride, ele passa a conhecê-lo, e pode aprender a desviar ou a partir para a luta definitiva". Como observa a professora, "este é o tipo de ensinamento que serve para todas as situações da vida".
No mundo competitivo e agressivo em que vivemos, o auto-controle e, principalmente, a unidade entre corpo-mente-emoção obtida através de práticas como a meditação ou as artes marciais são aliados importantíssimos para a vida profissional. "A filosofia oriental nos ajuda a manter o eixo nos momentos difíceis, pois ela nos conduz a um estado de integridade e concentração".