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Artista periférico da Bahia leva a festa de Iemanjá a Paris

Evento é iniciativa da Associação Odoyá Paris, fundada por Tom Dantas, brasileiro que saiu de Itabuna, interior da Bahia

23 mai 2023 - 05h00
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No próximo dia 11 de junho, a capital francesa receberá a tradicional festa de Iemanjá, uma celebração afro-brasileira em homenagem à rainha do mar. O evento, organizado pela Associação Odoyá Paris, foi idealizado pelo cantor e produtor Tom Dantas, baiano radicado na França há 17 anos. Ele quer marcar a manifestação no calendário cultural de Paris.

A festa de Iemanjá, tradicionalmente comemorada no dia 2 de fevereiro no Brasil, será aberta ao público e seguirá as tradições religiosas de matriz africana, mas desta vez nas margens do turístico rio Sena.

“A expectativa é reunir grande número de pessoas nesse local privilegiado, onde, durante o verão, há aglomeração. A ideia é valorizar a cultura afro-brasileira e afro-baiana”, conta Tom Dantas.

Músico baiano Tom Dantas vai levar a festa de Iemanjá para a capital francesa, cumprindo um dos objetivos da Associação Odoyá Paris
Músico baiano Tom Dantas vai levar a festa de Iemanjá para a capital francesa, cumprindo um dos objetivos da Associação Odoyá Paris
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A programação incluirá uma cerimônia religiosa pela manhã, às margens do rio Sena, e um encerramento à tarde, no Mineirinho Bar, com feijoada e música. O próprio Tom Dantas, anfitrião do evento, será a atração musical.

A recomendação aos participantes é vestir as cores do orixá homenageado, branco e azul, e levar presentes biodegradáveis como oferendas. Flores brancas serão bem-vindas, mas objetos de vidro, plástico, metal, além de outros materiais que poluem as águas, serão rejeitados.

Legado baiano continuado em Paris

Tom Dantas, presidente da Associação Odoyá Paris, teve a ideia de realizar a celebração de Iemanjá na capital francesa após comprar flores e fazer uma saudação à rainha do mar no próprio rio Sena.

“A Associação Odoyá Paris foi criada com o intuito de divulgar e enaltecer a cultura afro-brasileira na França, explorando elementos como a musicalidade, dança, culinária, ancestralidade e religiosidade”, relata.

Participantes da festa de Iemanjá em Paris vão colocar oferendas biodegradáveis no rio Sena
Participantes da festa de Iemanjá em Paris vão colocar oferendas biodegradáveis no rio Sena
Foto: Blue Arauz

O artista baiano ressalta a importância de mostrar a diversidade cultural brasileira além dos estereótipos. “Queremos exaltar nossa história e desmistificar preconceitos, promovendo conhecimentos e oferecendo atividades como palestras, aulas de português para filhos de brasileiros e franceses interessados, ateliês de culinária baiana e aulas de capoeira", acrescenta Tom.

Para ele, muitas vezes a cultura brasileira é associada apenas a Bossa Nova e futebol na França. A Associação Odoyá Paris, com recursos próprios, tem a missão de disseminar o protagonismo negro nas mais diversas áreas e ampliar o conhecimento sobre sua história. De acordo com Tom, esse movimento é a continuação de um legado.

Nas águas de Iemanjá, desde cedo

A relação de Tom Dantas com Iemanjá vem no berço, ligação que ele considera única e pessoal. O artista é um homem preto, do interior da Bahia e praticante do candomblé. Por essas e outras, recentemente criou a Associação Odoyá Paris, cujo objetivo é promover a fé e a cultura através de eventos na França.

Músico Tom Dantas foi para Paris jogar futebol, tomou o rumo da arte, fundou uma associação e quer levar a cultura negra à capital francesa
Músico Tom Dantas foi para Paris jogar futebol, tomou o rumo da arte, fundou uma associação e quer levar a cultura negra à capital francesa
Foto: Assessoria Canal In

“Iemanjá é a orixá mais conhecida nas casas de candomblé da Bahia e do Brasil”, lembra Tom Dantas. Para o artista, cultura é integração, valorização de um povo e, sobretudo, valorização ancestral para colocar em evidência protagonistas sociais escondidos, que estão sofrendo preconceitos de diferentes formas.

Da periferia de Itabuna para França

Natural de Itabuna, interior da Bahia, Wellington Dantas é do bairro São Roque, periferia da cidade. Desde a infância, esteve envolvido com música. Seu pai tinha uma escola de samba. Mas os primeiros passos foram em direção ao futebol.

Mudou-se para a capital francesa com 22 anos. Tinha proposta de atuar profissionalmente. Em sua carreira de atleta, morou em outros países europeus e asiáticos, como Dinamarca, Suíça e Emirados Árabes.

Tom Dantas veio da periferia de Itabuna, interior baiano, e construiu carreira musical na França. Agora, quer divulgar cultura brasileira
Tom Dantas veio da periferia de Itabuna, interior baiano, e construiu carreira musical na França. Agora, quer divulgar cultura brasileira
Foto: Assessoria Canal In

Por conta de uma lesão grave, teve que abandonar as chuteiras. Então investiu na arte. Produtor e cantor atuando sobretudo na França, se apresentou em casas de shows e bares de Paris, como La Cigale e Café de la Danse. Também abriu shows para grandes nomes da música brasileira, como Maria Rita, Leonardo, Só pra Contrariar e Fábio Junior.

Seu primeiro EP, lançado em 2018 e intitulado "Xá lá lá", alcançou mais de 1 milhão de visualizações no canal oficial do artista no YouTube. Atualmente, Tom Dantas está dedicado à divulgação de seu novo álbum, intitulado "DVD Tom Dantas ao vivo in Paris".

Fonte: Redação Terra
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