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'Seaspiracy': um documentário sobre a pesca predatória

O documentário é sensacional, aborda questões que não estamos acostumados a ver na mídia, nos telejornais. Vale cada minuto.

29 mai 2023 - 11h28
(atualizado às 11h34)
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Foto: Netflix

Seaspiracy é um documentário lançado em 2021, e tem como proposta mostrar as contradições presentes na indústria pesqueira. O filme retrata a realidade de pessoas que trabalham para essa indústria em alto mar, mostra como a poluição por redes são milhões de vezes mais poluentes que os canudinhos de plásticos.

Além disso, mostra como as empresas com selos de ‘’produto verde’’, ou seja, produtos éticos e sustentáveis, apenas utilizam dessa premissa para ganhar mercado e lucrar.

Quando compramos qualquer tipo de produto de origem animal, não é hábito de nós brasileiros, nos preocuparmos com o que estamos financiando e consumindo. Tipo, com a vida dos animais que estão mortos e precificados. Não temos essa consciência, e sistematicamente não somos estimulados a ter.

Apenas vamos ao supermercado, ou à peixaria, e compramos o que precisamos para servir de mistura, voltamos para casa e cozinhamos, sem nenhum tipo de reflexão.

Documentários como "Seaspiracy" são importantes justamente por isso, pois eles têm a capacidade, mesmo que de forma superficial muitas vezes, de mostrar uma parte da realidade que não vemos no cotidiano.

As mídias de modo geral são pagas por publicidades para fazer totalmente o contrário, para nos estimular a consumir e comprar sem questionar a origem e impactos do que estamos consumindo.

Em termos da culinária especista (alimentação baseada em animais), somos estimulados culturalmente a comer carne (incluindo os peixes, claro), tomar leite, consumir ovos, mel e derivados. Isso ocorre porque nós humanos nos sentimos superiores aos animais e nos sentimos no direito de explorá-los (especismo).

O documentário é carregado de informações, super dinâmico e traz uma visão ampla da realidade da pesca predatória. Empresas de peixes enlatados pagam por selos sustentáveis, para esconder seus impactos e ganhar mercado. O documentários aborda essa questão de maneira muito inteligente.

O documentário vem com uma proposta interessante, mostra como é importante a gente enxergar a realidade dessa indústria. Mas nós temos algo a acrescentar, não é uma crítica, mas um acréscimo.

No final do filme, o Tabrizi, responsável pelo documentário, traz como solução apenas a abolição do consumo de animais marinhos por indivíduos. E qual é o problema?

A mudança individual, por meio da conscientização em relação a devastação de ambientes marinhos e florestais, é o ponto de partida. Porém, isso não basta. É preciso alinhar mudanças individuais e lutar no âmbito político, estrutural e sistêmico.

Se tornar vegano é o primeiro passo, que está dentro das nossas possibilidades, mas precisamos ampliar o debate e não reduzir uma luta que é estrutural a um estilo de vida. É extremamente relevante para tornar o debate mais coerente, realista, científico e aprofundado.

Se liga:

Assista o documentário com um olhar crítico, não aceita de imediato suas colocações, questione, busque outras fontes, mas entenda que a proposta é genuína e o conteúdo é riquíssimo.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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