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Entenda por que veganos não comem nem peixe

O peixe normalmente é visto como um alimento saudável e que não causa nenhum impacto, será mesmo?

8 mar 2023 - 05h00
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Peixes
Peixes
Foto: CanvaPro

O consumo de peixe é significativo e o seu crescimento apresenta problemas sem precedentes. De acordo com dados levantados pelo Governo Brasileiro, o consumo no Brasil é, em média, de aproximadamente 9 kg por habitante por ano. No mundo, segundo a FAO, o consumo de peixe fica em torno de 20 kg por pessoa em um ano.

Conforme a organização britânica ‘Fish Count’, morrem anualmente cerca de 970 bilhões de peixes em decorrência da ação humana. Segundo a mesma organização, o total pode chegar a 2,74 trilhões. Esses números não consideram práticas ilegais e não regulamentadas. Ao todo, podemos ter cerca de 3 trilhões de animais marinhos mortos todos os anos.

Não é nada incomum escutarmos que, nós humanos sempre comemos peixe e que essa prática da pesca é uma atividade antiga e que faz parte da vida humana. Porém, o que precisamos considerar é a forma que essa pesca é realizada atualmente, os interesses dessa indústria e o impacto que ela causa. Hoje em dia não é apenas alimentação.

É óbvio que se uma pequena população humana pesca com vara visando a sobrevivência do grupo, comum na realidade de famílias ribeirinhas e populações indígenas, o impacto é quase insignificante. A realidade a que nos referimos é da pesca predatória, trazendo uma visão antiespecista dessa atividade tão problemática.

Se estamos inseridos numa realidade urbana com acesso a alimentos vegetais de qualidade e temos a possibilidade de consumi-los, ingerir peixes e outros animais marinhos, é totalmente desnecessário. E se opor a esse consumo é um dever de todos, pois o impacto que essa atividade gera é gigantesco.

Segundo o 'Greenpeace', a poluição por materiais de pesca como redes, armadilhas e linhas representam cerca de 85% de toda poluição nos oceanos. A organização não-governamental 'Animal Protection' estima que os materiais utilizados na pesca predatória são responsáveis pela morte de 100 mil baleias, tartarugas, golfinhos, focas, entre outros animais marinhos por ano.

Considerando apenas o impacto indireto da pesca, sem mencionar os animais pescados e mortos pela indústria do peixe, os números são assustadores. Vimos recentemente diversas manifestações pela abolição do plástico, essencialmente o canudinho, mas não vimos o mesmo ímpeto em lutar pelo fim do consumo de animais marinhos e pelo fim da pesca predatória.

A pesca predatória é responsável por dizimar populações inteiras de peixes, provocando um verdadeiro desequilíbrio no ecossistema marinho e contribuindo com a extinção de diversas populações marinhas.

Além de todo esse impacto, precisamos considerar que os animais marinhos, assim como os animais terrestres, são seres sencientes. Isso significa que são seres com sistema nervoso e consciência, que sentem dor e sofrem. O anzol, a respiração fora d’água, as múltiplas mutilações, tudo isso gera um tremendo sofrimento.

O que faz a gente ter mais sentimentos por animais terrestres, como cachorros e porcos, é a capacidade que temos de ser empáticos com a feição mais humanizada desses animais, como, por exemplo, suas expressões, reações e formas.

Mas não podemos olhar para animais que não apresentam as mesmas características e considerá-los seres menos capazes de sentir, é uma forma de olhar para além das feições e se compadecer por esses seres incríveis e tão importantes.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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