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Rir faz bem mesmo? Veja o que a ciência já sabe sobre os benefícios da terapia do riso

Técnica combina gargalhadas intencionais e exercícios respiratórios; pesquisas investigam efeitos sobre estresse, bem-estar e falta de ar

5 nov 2026 - 16h37
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Resumo
A terapia do riso combina gargalhadas intencionais a exercícios respiratórios e corporais para promover o bem-estar e reduzir o estresse, associando-se a melhorias na imunidade e na saúde cardiovascular. Um ensaio clínico recente comprovou que a prática alivia significativamente a falta de ar e melhora a percepção de saúde em pacientes com DPOC, ao exercitar a musculatura respiratória e facilitar a expiração prolongada, embora a ciência ainda investigue os mecanismos exatos desses benefícios.

O riso pode surgir naturalmente diante de uma situação engraçada, mas também pode fazer parte de uma prática estruturada. Na chamada terapia do riso, gargalhadas intencionais são combinadas a exercícios respiratórios e corporais, e pesquisadores investigam como essa experiência pode afetar o estresse, o bem-estar e até determinados sintomas físicos.

O riso provoca respostas no organismo e já é estudado como prática complementar para bem
O riso provoca respostas no organismo e já é estudado como prática complementar para bem
Foto: estar e sintomas de algumas condições - Aflo Images/アフロ(Aflo) / Bons Fluidos

No Dia Nacional do Riso, celebrado em 5 de novembro, a prática chama atenção justamente por unir uma experiência cotidiana a efeitos que a ciência ainda busca compreender melhor.

Terapia do riso: o que é e como funciona?

A técnica não depende necessariamente de uma situação engraçada para começar. As sessões podem reunir gargalhadas provocadas, exercícios de respiração e atividades corporais que ajudam a sustentar a prática. A ioga do riso, por exemplo, combina risadas deliberadas com técnicas respiratórias.

Com o passar dos exercícios, a proposta é estimular uma resposta mais espontânea e favorecer uma sensação de relaxamento. A terapeuta Sunny Turner contou à 'BBC' que conheceu a prática depois de atravessar um período de mudanças pessoais e estresse. Segundo ela, as primeiras experiências aconteceram sem qualquer estímulo externo.

"Tudo o que você precisa é estar disposto a tentar", afirmou. Mais tarde, Turner passou a participar de sessões coletivas e se formou como professora de ioga do riso. Ela relata que a prática contribuiu para que se sentisse mais calma, dormisse melhor e lidasse com o estresse de outra forma.

O que o riso provoca no organismo?

Segundo o cardiologista e clínico médico Fábio de Cerqueira Lario, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, estudos associam o bom humor a respostas comportamentais, biológicas e psicossociais. Parte das pesquisas se concentra na resposta do organismo ao estresse, incluindo alterações no cortisol e em substâncias ligadas à sensação de bem-estar.

O especialista também cita possíveis relações com processos inflamatórios, imunidade, funcionamento do sistema nervoso autônomo e comportamento social. "Sobre a risada e o bom humor, acredito que a conexão entre eles é como a velha história do ovo e da galinha. Um leva ao outro e vice-versa. A relação entre eles é fundamental para a saúde", afirmou em um artigo publicado no site da instituição.

Há ainda pesquisas que associam o riso frequente a menor risco de problemas cardiovasculares. Entretanto, não está totalmente esclarecido se o humor exerce diretamente esse efeito ou se aparece junto de outros fatores protetores, como hábitos mais saudáveis e maior suporte social.

Terapia pode ajudar na respiração

Um ensaio clínico apresentado no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia investigou os efeitos da prática em pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O estudo reuniu 63 pacientes. Um grupo realizou terapia do riso, outro praticou exercícios de respiração com os lábios semicerrados e o terceiro não fez nenhum dos dois tipos de exercício.

Os participantes das duas intervenções praticaram durante 30 minutos, três vezes por semana, ao longo de oito semanas. Na terapia do riso, as atividades incluíram exercícios lúdicos, vocalizações, palmas, momentos de gargalhadas e técnicas de relaxamento.

Ao final do período, os grupos que fizeram terapia do riso ou exercícios respiratórios apresentaram menos dificuldade para respirar em comparação com os participantes que não realizaram nenhuma das práticas. Os pesquisadores também observaram melhora na percepção de saúde geral.

A pesquisadora Goncagul Aldan relatou, em comunicado, que o efeito sobre a falta de ar permaneceu mesmo um mês depois do encerramento do programa. "Os resultados deste estudo mostram que tanto os exercícios de respiração com os lábios semicerrados quanto a terapia do riso podem reduzir significativamente a gravidade da falta de ar em pacientes com DPOC", afirmou.

Como a gargalhada pode interferir na respiração?

Durante o riso, músculos envolvidos no processo respiratório trabalham repetidamente. Essa movimentação pode favorecer uma expiração mais profunda. Na DPOC, as alterações nas vias aéreas podem dificultar a saída do ar dos pulmões. Por isso, exercícios que ajudam a controlar e prolongar a expiração já fazem parte de algumas estratégias usadas no acompanhamento da doença.

Os pesquisadores estudam se o riso pode produzir parte desses efeitos ao mobilizar a musculatura respiratória e, ao mesmo tempo, contribuir para respostas relacionadas ao bem-estar. No entanto, ainda não se sabe exatamente quais mecanismos explicam os resultados.

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