Nível baixo de progesterona indica inviabilidade de gravidez
A progesterona é responsável pela manutenção da gestação. O baixo nível desse hormônio no início da gestação, associado a sangramentos e dores, é um indício de inviabilidade da gravidez.
Esse hormônio é produzido pelo ovário e, durante a gravidez, pela placenta. No primeiro trimestre, a progesterona em baixa pode significar riscos de abortamento ou de gravidez ectópica - situação em que ela se desenvolve fora do útero, geralmente nas trompas, e que tem atinge de 1 a 2% das gestações.
Um estudo publicado pelo BMJ, grupo britânico dedicado a pesquisas médicas, reviu 26 estudos relacionando os níveis baixos de progesterona em associação a sangramentos e dores - sintomas sentidos por 30% das gestantes. A probabilidade de a gravidez ser inviável era de 96,8% se a progesterona era mais baixa que 10 ng/mL, comparada a 37,2% se era maior. Quando as gestantes com os mesmos sintomas realizam um ultrassom, e esse exame não consegue concluir se a gravidez é viável ou não, a probabilidade de interrupção da gravidez era de 99,2% quando a progesterona era baixa, comparada a 44,8% se ela era alta.
A pesquisa concluiu que a inviabilidade da gravidez pode ser definida por uma única medição de progesterona, realizada por meio de exame de sangue, em mulheres que apresentam sangramento ou dores e tiveram ultrassons não conclusivos.
A viabilidade da gravidez é normalmente medida por dois exames: o ultrassom e a dosagem do bHCG (beta HCG) sérico. O primeiro permite ao médico ver o desenvolvimento do feto, enquanto no segundo é observado se o aumento e a velocidade de produção desse hormônio estão adequados. "Normalmente, só a curva de bHCG e o ultrassom são suficientes. Se você estiver em dúvida, o nível de progesterona pode ajudar a definir o prognóstico. Mas é um exame terciário", afirma o ginecologista Eduardo Cordioli, coordenador da maternidade do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
O estudo aponta, no entanto, que, enquanto o exame de bHCG deve ser repetido, uma medição única de progesterona seria suficiente para determinar o risco da gravidez.
Tratamento
A análise da progesterona pode dar um prognóstico da gravidez, porém não costuma servir como tratamento. "Não há nada o que fazer se o nível der baixo. Dar progesterona não significa que você vai conseguir que a gravidez evolua", diz o médico.
O nível baixo do hormônio é sinal de risco da gestação, mas não costuma ser a causa. "Pode ser que a pouca progesterona seja um problema, mas normalmente não é. Uma pequena fração dessas mulheres se beneficia do uso da progesterona", comenta Eduardo.
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