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Ministério da Saúde reprova quarentena mais rígida em SP

Pasta declara ser contra medidas como o fechamento total do Estado

26 mar 2020
19h29
atualizado às 19h35
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O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse nesta quinta-feira (26) que a pasta não aprova a adoção de uma quarentena mais rígida no estado de São Paulo e frisou que, se o governador João Doria (PSDB) decidir fazer isso, não terá a aprovação técnica do ministério.

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
25/03/2020
REUTERS/Adriano Machado
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta 25/03/2020 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Temos atuado em cooperação com os estados. Mas, se o estado de São Paulo resolver tomar as decisões independentes do Ministério da Saúde, vamos recomendar que não diga mais que estão tomando medidas de acordo com o Ministério da Saúde", afirmou Gabbardo, ao detalhar a situação do coronavírus no País nesta quinta-feira (26).

A gestão João Doria cogita aumentar ainda mais as restrições de acordo com a evolução da epidemia. "Existe uma gradação. O que estamos fazendo não é um isolamento. É um distanciamento social. O próximo passo, se houver necessidade, é um isolamento domiciliar ou social. E, se houve necessidade ainda de apertar mais esse cinto, aí seria o lockdown (fechamento total do Estado). E a característica, aí, é o uso da força policial para manter as pessoas em casa", afirmou o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, no entanto, disse que a pasta não vai chancelar uma eventual decisão nesse sentido. "As medidas mais drásticas que São Paulo vai fazer, o Estado deve assumir, mesmo não tendo concordância e não tendo sido discutido com o Ministério da Saúde."

Na última quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro teve seu embate mais duro com os chefes do Executivo nos Estados desde o início da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Em reunião com os governadores do Sudeste, ele foi cobrado por Doria a ter mais responsabilidade ao tratar da pandemia. O presidente retrucou, acusando o tucano de fazer "demagogia" e usar a situação como "palanque" eleitoral.

Doria afirmou na ocasião que o presidente deveria "dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia". Bolsonaro retrucou: "Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque".

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Estadão
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