Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Menino de 10 anos sofreu parada cardíaca, passou por transplante e sofreu AVC antes de 'recuperar a infância'

Lucca Gabriel levou anos até receber o diagnóstico de cardiopatia congênita

24 jun 2026 - 04h59
Compartilhar
Exibir comentários
Lucca Gabriel nasceu com cardiopatia congênita
Lucca Gabriel nasceu com cardiopatia congênita
Foto: Amanda Oliveira/Reprodução

Quando Lucca Gabriel nasceu, em 6 de agosto de 2015, os médicos suspeitaram que havia algo errado. Com as extremidades frias, o bebê foi encaminhado para exames posteriores, mas recebeu alta sem qualquer diagnóstico cardíaco. O problema seria descoberto apenas anos depois, após um mal-estar durante uma brincadeira. A partir dali, a família iniciou uma jornada marcada por cirurgias, incertezas, um transplante de coração e meses de recuperação.

Hoje, após enfrentar uma cardiopatia congênita grave, Lucca voltou a correr, brincar e jogar futebol. A história do menino de 10 anos evidencia a importância do diagnóstico precoce dessas malformações cardíacas, que afetam aproximadamente 30 mil crianças por ano no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Especialistas alertam que a identificação ainda durante a gestação ou nos primeiros meses de vida pode reduzir as complicações e aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Celebrado em 12 de junho, o Dia Nacional da Conscientização da Cardiopatia Congênita tem como objetivos principais educar a população sobre os sinais e sintomas na infância e apoiar instituições que atuam no cuidado à criança cardiopata. Apesar dos avanços tecnológicos no diagnóstico e no tratamento, médicos apontam que ainda existem desafios relacionados ao acesso à assistência especializada e detecção precoce dos casos.

As cardiopatias congênitas são alterações na estrutura ou no funcionamento do coração presentes desde o nascimento. Entre as mais frequentes estão a comunicação interventricular, a comunicação interatrial e a estenose pulmonar. Os principais sintomas incluem cansaço, falta de ar, suor excessivo, dificuldade para ganhar peso e coloração roxa nos lábios e extremidades.

De acordo com a Dra. Simone Fontes Pedra, cardiologista pediátrica e chefe da Seção Médica de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, essas alterações podem e devem ser identificadas ainda durante a gestação. 

“Na maioria dos casos afetados, não se identifica fator de risco para o aparecimento da doença. Sendo assim, torna-se imperativo que a gestante siga um Pré-Natal correto e cuidadoso. Neste cenário, deve fazer parte do pré-natal alguns exames de ultrassom, sendo 2 deles particularmente importantes para a avaliação da anatomia fetal: são os ultrassons morfológicos de 1º e 2º trimestres realizados entre 11 e 13 semanas e 18 e 22 semanas respectivamente”, explica.

Segundo a especialista, o principal exame para o diagnóstico é o ecocardiograma fetal, um ultrassom capaz de avaliar detalhadamente a anatomia e o funcionamento do coração do bebê ainda no útero.

A trajetória de Lucca Gabriel mostra como algumas cardiopatias podem permanecer sem diagnóstico por anos. Em meados de 2023, ele passou mal enquanto jogava futebol com o pai. Após relatar escurecimento da visão e ânsia de vômito, foi levado ao hospital. Durante os exames, os médicos identificaram um aumento do coração, o que levou a novas investigações.

“Fizeram uma imagem do coração dele e o resultado mostrou que o órgão estava dilatado, inchado. Ali acendeu um sinal de alerta”, relembra o pai, Jason Antônio Ferraz, de 31 anos.

Os exames seguintes levantaram a suspeita de uma cardiopatia, mas o diagnóstico definitivo veio após uma avaliação no Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo. Lucca foi diagnosticado com anomalia de Ebstein, uma cardiopatia congênita rara caracterizada pelo posicionamento anormal da válvula tricúspide.

“Começamos a buscar muitas informações sobre ela, mas encontrávamos muito pouco conteúdo. Era tudo muito superficial. Nem sabíamos que aquilo poderia existir”, conta Jason.

Em fevereiro de 2024, Lucca passou pela primeira cirurgia para correção da válvula. O pós-operatório foi marcado por complicações graves. Ele permaneceu 17 dias entubado, precisou passar por uma nova cirurgia e chegou a perder a fala, os movimentos e grande parte da massa muscular. Mesmo após a implantação de um marca-passo, a insuficiência cardíaca continuou avançando. 

No fim de 2025, após novas internações e a formação de um trombo na válvula cardíaca, a equipe médica concluiu que o transplante seria a única alternativa viável. Poucos dias depois da decisão, Lucca sofreu uma parada cardíaca e precisou ser colocado em ECMO, equipamento que substitui temporariamente as funções do coração e dos pulmões.

O transplante foi realizado em dezembro de 2025. Após o procedimento, Lucca apresentou uma rejeição aguda inicial, precisou voltar para a ECMO e ainda sofreu um AVC isquêmico durante a recuperação. Apesar das complicações, o quadro começou a evoluir de forma positiva nas semanas seguintes.

Após meses de reabilitação, Lucca voltou a ter uma rotina próxima da normalidade. “Ele consegue correr, brincar e jogar bola sem os cansaços que tinha antes. Uma parte da infância que ele perdeu por causa da doença, ele está recuperando agora”, afirma o pai.

Para a Dra. Simone, histórias como as de Lucca reforçam a importância de ampliar o diagnóstico precoce das cardiopatias congênitas. De acordo com a especialista, cerca de 25% dos casos são considerados críticos e exigem tratamento ainda no primeiro ano de vida.

“Quando o diagnóstico é feito precocemente, conseguimos planejar o tratamento e evitar que a criança chegue ao centro especializado em condições clínicas muito graves. Isso pode mudar completamente o curso da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida desses pacientes”, conclui.

Fonte: Portal Terra
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra