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Má alimentação está aumentando casos de hipertensão em jovens

Abril Vermelho - mês é dedicado à prevenção e combate à hipertensão arterial

9 abr 2026 - 11h45
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O Abril Vermelho é uma campanha voltada à conscientização sobre a prevenção e o combate à hipertensão arterial, uma das principais causas de doenças cardiovasculares e mortes no mundo.

Embora tradicionalmente associada a adultos e idosos, a hipertensão tem avançado de forma preocupante entre jovens, acendendo um alerta para mudanças urgentes nos hábitos de vida, especialmente na alimentação.

Freepik
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Foto: Revista Malu

Especialistas apontam que o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e a rotina cada vez mais estressante estão transformando a hipertensão em um problema precoce. O que antes era diagnosticado após os 40 anos, hoje já aparece em pessoas na faixa dos 20 e 30 anos, muitas vezes sem sintomas aparentes.

Segundo o médico nutrólogo Murillo Monteiro, o crescimento dos casos está diretamente ligado ao estilo de vida moderno. "O aumento da hipertensão em jovens está relacionado principalmente à alimentação inadequada, ao sedentarismo, à obesidade abdominal, ao estresse crônico e à privação de sono. O consumo elevado de ultraprocessados, ricos em sódio, açúcar e gorduras ruins, somado ao excesso de tempo em telas e à baixa prática de atividade física, tem impactado diretamente a saúde cardiovascular dessa população", explica.

Alimentação ruim

O especialista destaca que alguns alimentos têm papel central nesse cenário, principalmente os ultraprocessados, como embutidos, salgadinhos e fast food, além do excesso de sal presente em temperos prontos, macarrão instantâneo e conservas. "Refrigerantes, carnes processadas e frituras também contribuem significativamente, pois o excesso de sódio aumenta a retenção de líquidos e o volume de sangue, enquanto o açúcar e as gorduras ruins promovem inflamação e rigidez dos vasos, elevando a pressão arterial", afirma.

Murillo também alerta que a hipertensão não está necessariamente ligada ao peso corporal. "Uma pessoa pode ser magra e ainda assim desenvolver pressão alta se tiver alta ingestão de sódio e aditivos químicos, inflamação crônica ou resistência à insulina. O peso não é sinônimo de saúde metabólica. Os ultraprocessados afetam diretamente a função dos vasos sanguíneos, o equilíbrio hormonal e o sistema renal, o que favorece o desenvolvimento da hipertensão", ressalta.

Outro ponto preocupante é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. "Alguns sinais podem aparecer, como dor de cabeça frequente, tontura, cansaço excessivo, visão turva, palpitações e até sangramento nasal ocasional. No entanto, muitos jovens não apresentam sintomas, por isso a aferição regular da pressão é fundamental para o diagnóstico precoce", orienta o nutrólogo.

Tratamento

Em relação ao tratamento, o especialista reforça que mudanças simples no estilo de vida já podem trazer resultados importantes. "Na maioria dos casos iniciais, reduzir o consumo de sal, aumentar a ingestão de alimentos naturais, manter uma boa hidratação e praticar atividade física regularmente já ajudam a controlar a pressão. A medicação é indicada quando a pressão permanece elevada, há fatores de risco associados ou quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes. O ideal é sempre uma avaliação individualizada", explica.

Para Murillo Monteiro, a hipertensão deixou de ser uma condição exclusiva de adultos e idosos e passou a refletir um padrão alimentar e comportamental cada vez mais inflamatório, que começa cedo. Ainda assim, o especialista reforça que há motivos para otimismo. "A boa notícia é que intervenções simples e precoces têm alto poder de reversão, especialmente entre jovens. Quanto antes houver mudança na alimentação e no estilo de vida, maiores são as chances de controlar a pressão e evitar complicações no futuro", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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