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Esporotricose: a infecção transmitida por gatos que preocupa o Brasil

Esporotricose: conheça a doença transmitida por gatos, sintomas em humanos e animais, diagnóstico, tratamento e prevenção eficazes

22 mar 2026 - 16h30
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A esporotricose tem chamado cada vez mais a atenção na área da saúde por afetar tanto humanos quanto animais, em especial gatos. Trata-se de uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix, que vivem no ambiente, principalmente em solo, plantas e materiais orgânicos em decomposição. Nos últimos anos, surtos em áreas urbanas transformaram essa micose em um problema relevante de saúde pública, exigindo vigilância constante, informação adequada e cuidados específicos.

Apesar de ser uma doença conhecida há décadas, a esporotricose ganhou destaque recente por sua forma de transmissão entre animais e pessoas, o que caracteriza uma zoonose. Gatos domésticos e de rua se tornaram os principais responsáveis pela disseminação em centros urbanos, fazendo com que a infecção deixasse de ser apenas ocupacional, relacionada a jardineiros e agricultores, e passasse a atingir famílias em diferentes contextos sociais.

O que é esporotricose e por que a palavra-chave é tão importante?

A esporotricose é uma micose subcutânea, ou seja, uma infecção fúngica que atinge principalmente a pele e o tecido logo abaixo dela, podendo avançar para vasos linfáticos e, em situações específicas, alcançar outros órgãos. O fungo entra no organismo geralmente por pequenas feridas ou arranhões, instalando-se localmente e, em alguns casos, espalhando-se ao longo dos canais linfáticos. A doença pode se manifestar em formas cutânea localizada, cutâneo-linfática ou, em pessoas com imunidade comprometida, formas mais disseminadas.

Historicamente, a esporotricose era associada ao contato com espinhos de plantas, madeira e solo contaminado, por isso também é conhecida como "doença do jardineiro". No entanto, o cenário mudou com a emergência da esporotricose felina, que elevou a relevância do tema. Entender o que é essa micose, como surge e como pode ser controlada é fundamental para reduzir o impacto da doença em bairros, cidades e regiões inteiras.

Feridas que não cicatrizam em gatos podem indicar esporotricose — prevenção com luvas e cuidado veterinário é essencial – depositphotos.com / osobystist
Feridas que não cicatrizam em gatos podem indicar esporotricose — prevenção com luvas e cuidado veterinário é essencial – depositphotos.com / osobystist
Foto: Giro 10

Como a esporotricose é transmitida, especialmente por gatos?

A transmissão da esporotricose ocorre principalmente pela inoculação do fungo na pele por meio de arranhões, mordidas ou contato de feridas abertas com secreções contaminadas. Em ambientes urbanos, o gato infectado tornou-se o principal vetor. O animal pode apresentar lesões na pele, normalmente ulceradas, com secreção, que abrigam grande quantidade de fungos. Quando arranha, morde ou tem suas feridas manipuladas sem proteção, pode transmitir o agente para humanos e outros animais.

Além disso, a transmissão entre gatos acontece com frequência em brigas, sobretudo entre animais não castrados e que têm livre acesso à rua. O contato com solo, madeira ou vegetais contaminados ainda é possível, mas, atualmente, a via zoonótica, especialmente a partir de felinos, assumiu maior relevância em muitas cidades brasileiras. Em cães, a infecção ocorre de forma semelhante, embora menos comum. É importante destacar que a transmissão direta entre pessoas não é considerada significativa; o foco está no elo ambiente-animal-humano.

Quais são os sintomas da esporotricose em humanos e animais?

Em humanos, os primeiros sinais da esporotricose geralmente surgem no local de entrada do fungo, após um período que pode variar de alguns dias a semanas. Costuma aparecer um pequeno nódulo ou caroço, inicialmente indolor, que pode aumentar de tamanho, ficar avermelhado e, em alguns casos, ulcerar. Na forma cutâneo-linfática, novos nódulos surgem em sequência ao longo do trajeto dos vasos linfáticos, formando uma espécie de "cordão" sob a pele. Alguns pacientes relatam dor leve, coceira e, ocasionalmente, febre baixa ou mal-estar.

Nos animais, especialmente gatos, a apresentação clínica é frequentemente mais exuberante. É comum observar:

  • Feridas na pele que não cicatrizam, muitas vezes na cabeça, orelhas, patas ou região do focinho;
  • Lesões ulceradas, com crostas e secreção purulenta;
  • Queda de pelos ao redor das lesões;
  • Em casos avançados, emagrecimento, apatia e dificuldade para se alimentar.

Os gatos podem carregar fungos em grande quantidade nas lesões, o que aumenta o risco de transmissão. Cães também podem apresentar nódulos e úlceras, porém com quadro geralmente menos intenso que o dos felinos.

Como é feito o diagnóstico da esporotricose?

O diagnóstico da esporotricose em humanos e animais é baseado na combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. O profissional de saúde ou o médico-veterinário observa o padrão das lesões, o histórico de contato com gatos doentes, ambiente de risco ou atividades rurais, e, em seguida, solicita testes específicos. O método mais utilizado é o exame micológico, que consiste na coleta de material das lesões para cultura em laboratório, permitindo a identificação do fungo Sporothrix.

Além da cultura, podem ser utilizados exames histopatológicos, que analisam pequenos fragmentos de pele ao microscópio, e técnicas moleculares, em alguns centros especializados, para diferenciar espécies de Sporothrix. Esses procedimentos ajudam a confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento, especialmente em casos atípicos ou em pacientes com outras doenças que alteram a imunidade.

Tratamento da esporotricose em humanos e animais

O tratamento da esporotricose é baseado, principalmente, no uso de antifúngicos sistêmicos por período prolongado. Em humanos, o medicamento mais empregado é o itraconazol, administrado por via oral, geralmente por vários meses, até completa remissão das lesões. Em algumas situações específicas, como intolerância ou formas mais graves, podem ser necessários outros antifúngicos, de acordo com avaliação médica.

Em gatos e cães, o tratamento também costuma envolver itraconazol, com doses e duração ajustadas pelo médico-veterinário. É essencial que o tratamento seja contínuo e não interrompido precocemente, mesmo após aparente melhora. Em determinadas situações, podem ser recomendadas medidas complementares, como limpeza adequada das lesões, uso de colar elizabetano para evitar lambeduras e, em casos extremos ou sem resposta terapêutica, outras abordagens consideradas individualmente.

Zoonose urbana em crescimento: controle da esporotricose passa por saúde humana, animal e ambiental integradas – depositphotos.com / EsinDeniz
Zoonose urbana em crescimento: controle da esporotricose passa por saúde humana, animal e ambiental integradas – depositphotos.com / EsinDeniz
Foto: Giro 10

Como prevenir a esporotricose e reduzir o risco em casa e na comunidade?

A prevenção da esporotricose passa por um conjunto de medidas que envolvem cuidados com os animais, manejo do ambiente e práticas de proteção individual. Entre as recomendações mais citadas estão:

  • Manter gatos preferencialmente dentro de casa, evitando acesso irrestrito à rua;
  • Castrar os felinos, reduzindo brigas e contatos agressivos entre animais;
  • Levar imediatamente ao serviço veterinário gatos com feridas suspeitas, que não cicatrizam ou apresentam secreção;
  • Usar luvas ao manipular animais com lesões e ao limpar secreções ou curativos;
  • Evitar o abandono de animais doentes e seguir as orientações para descarte adequado de resíduos contaminados;
  • Em atividades de jardinagem, utilizar luvas e calçados fechados, sobretudo em áreas de risco.

Em nível coletivo, campanhas de informação, acesso ao diagnóstico e ao tratamento gratuito em serviços públicos, além de programas de controle populacional de gatos, são estratégias frequentemente adotadas para reduzir a circulação do fungo e novas infecções.

Por que a esporotricose é um problema de saúde pública?

A esporotricose é considerada um problema de saúde pública porque reúne diversos fatores de impacto coletivo: é uma zoonose, tem potencial de disseminação rápida em áreas urbanas, exige tratamento prolongado e envolve custos para sistemas de saúde e famílias. A presença de grandes populações de gatos em situação de rua, associada à falta de acesso regular a serviços veterinários, favorece a manutenção do fungo no ambiente e o surgimento de novos casos.

Além disso, grupos vulneráveis, como pessoas com imunidade comprometida, idosos e crianças, podem apresentar formas mais graves da doença, o que amplia a necessidade de acompanhamento especializado. O enfoque "Uma Saúde" (saúde humana, animal e ambiental integrada) torna-se essencial para o enfrentamento da esporotricose, reforçando a importância da cooperação entre profissionais da medicina, medicina veterinária e vigilância sanitária. Quanto mais precoce for a identificação de casos e a adoção de medidas preventivas, menor tende a ser o impacto da doença sobre a população.

Giro 10
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