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Enchente no RS deve causar surto de leptospirose e dengue

Uma das preocupações da enchente no RS é o aumento de casos de leptospirose, transmitida pelo contato com a água exposta à urina de animais contaminados

14 mai 2024 - 18h03
(atualizado às 22h20)
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No último levantamento feito pela Defesa Civil, o número de mortes causadas pela catástrofe climática no Rio Grande do Sul chegou a 147. No entanto, a preocupação que se estabelece é que as sérias consequências da enchente no RS não parem por aí e envolvam surtos de doenças como leptospirose e dengue.

Foto: Flickr/Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Canaltech

A enchente traz à tona animais como ratos e baratas, e a leptospirose pode ser transmitida por meio da água contaminada pela urina de animais infectados.

Leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria do gênero Leptospira, e os sintomas geralmente aparecem cerca de uma ou duas semanas após a exposição. Os sintomas mais comuns incluem febre, calafrios, dores musculares, dor de cabeça, náuseas, diarreia e sangramento das gengivas ou do nariz.

Em alguns casos, a leptospirose pode progredir para uma forma mais grave, levando a complicações sérias que podem resultar em morte.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) diz que cerca de 15% dos pacientes que desenvolvem leptospirose evoluem com manifestações clínicas graves e que a zoonose é endêmica no Brasil e no Rio Grande do Sul, mas se torna epidêmica em períodos chuvosos.

Surto de leptospirose no RS

Até então, a pior enchente no RS foi a de 1941, ocasião em que o nível do Guaíba chegou a marca de 4,75 metros. A situação foi grave a ponto de deixar 70 mil pessoas ficaram desabrigadas (um quarto da população de Porto Alegre na época, que era de 272 mil habitantes).

Entre os meses de abril e maio daquele ano, choveu de maneira ininterrupta por simplesmente 22 dias.  As chuvas se distribuíram na bacia hidrográfica da Lagoa dos Patos, e na época, o volume de chuva acumulado foi de 619 mm. 

"A cheia de 1941 em Porto Alegre, que inundou uma área extensa da cidade, incluindo o centro e alguns bairros, foi de uma magnitude sem precedentes", diz um relatório publicado pela UFRGS em 2020. 

Enchente aumenta surto de leptospirose (Imagem: Wolfgang Hasselmann/Unsplash)
Enchente aumenta surto de leptospirose (Imagem: Wolfgang Hasselmann/Unsplash)
Foto: Canaltech

Mas o estudo diz que a situação poderia ter sido pior. "Há que se considerar que o Guaíba antes da cheia de 1941 estava com nível d´água baixo, compatível com o normal esperado para abril, desta forma, pode especular que o mesmo evento chuvoso em outra época poderia resultar num coeficiente de escoamento maior, gerando uma cheia ainda maior", consta no artigo.

Mesmo após  a drenagem, os danos causados pela inundação permaneceram por dias, desencadeando um surto de leptospirose na cidade. Como a água da enchente se junta ao esgoto — que, por sua vez, possui fezes humanas e não humanas — tudo o que pode ser transmitido por meio de esgoto faz parte dessa água.

Em entrevista anterior ao Canaltech, o dr. Ricardo Kores (infectologista) informou que só a pele não protege em caso de contato com a água suja, uma vez que causa pequenas descamações e facilita a propagação de bactérias. Ferimentos também servem como portas de entrada para as infecções.

Por isso, dr. Kores recomenda se proteger ao entrar em contato com a água da enchente, dando prioridades a roupas impermeáveis, calças compridas, botas e luvas. Também é recomendado tomar cuidado com a água que se está bebendo (a água deve ser filtrada e depois fervida ou filtrada e tratada) e com os alimentos.

Prevenção para leptospirose

Diante disso, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) fez uma nota em que recomenda a quimioprofilaxia — mas com avaliação médica, sem automedicação — contra a leptospirose para pessoas que estiveram expostas à água de enchente por período prolongado: tanto moradores quanto voluntários de resgate.

A quimioprofilaxia é uma estratégia de prevenção que envolve o uso de medicamentos para reduzir o risco de infecção.

A medida tem como base um guia de tratamento publicado pela Organização Mundial da Saúde em 2003, apontando que a profilaxia com antimicrobianos pode ser realizada em situações de alto risco como é a que o RS presencia.

Surto de dengue

Outra preocupação é que a enchente deixa a água parada, e isso pode levar a um aumento de dengue no Rio Grande do Sul. Áreas inundadas criam condições favoráveis para a proliferação de mosquitos Aedes aegypti, que transmitem o vírus da dengue.

Isso porque essas áreas também podem conter uma grande quantidade de recipientes, como pneus, garrafas, latas e vasos, que se tornam potenciais criadouros para os mosquitos depositarem seus ovos. Com mais criadouros disponíveis, há um aumento na população de mosquitos.

Em meio a essa situação da enchente no RS, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) fez um alerta para que a população tome vacina contra a gripe (influenza) e covid-19, que protegem contra infecções respiratórias.

Fonte: Secretaria de Saúde do RS, UFRGS, Sociedade Brasileira de Infectologia

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