Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Nunca é só corrida: Aos 50 anos, celebro a vida, a amizade e a liberdade na minha primeira trilha

Uma experiência na Chapada dos Guimarães me mostrou que sempre há novos caminhos para descobrir, ao lado de quem faz a vida valer a pena

2 out 2026 - 11h41
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Aos 50 anos e com vasta experiência no asfalto, Vinha celebrou seu aniversário completando sua primeira corrida em trilha, de 20 km, na Chapada dos Guimarães. O esporte, que no passado a salvou de uma depressão pós-parto, ganhou novo significado ao correr lado a lado com o amigo Thiago Mota, recuperado de um infarto sofrido 100 dias antes. Em meio a paisagens deslumbrantes e desafios técnicos, ela comemorou a vida, a amizade e a vitalidade, deixando um exemplo de superação aos filhos.
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

Falar em maratonas, meias maratonas e triatlos pode parecer rotina para quem já acumula 8 maratonas, 3 triatlos olímpicos e mais de 45 meias maratonas no currículo. Mas para mim, carioca de coração, moradora de São Paulo há 20 anos, casada, mãe de três e mais conhecida como Vinha, a linha de chegada da minha última aventura teve um sabor totalmente diferente. Decidi que a melhor forma de celebrar a chegada dos meus 50 anos, em outubro, seria desbravando algo inédito: os meus primeiros 19 km (que, no fim, viraram 20 km, risos) de trilha no Bota pra Correr, na Chapada dos Guimarães.

Mas a decisão de encarar a terra batida, a areia fofa e as pedras não nasceu apenas do desejo de colecionar medalhas. Ela veio de uma história muito mais profunda.

Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

De volta à vida: O poder transformador do esporte

A corrida entrou na minha vida há 13 anos, em um momento delicado, após episódios de depressão profunda no pós-parto. Viciada em cuidar da maternidade de forma intensa, eu havia deixado o meu próprio autocuidado de lado. O ponto de virada veio no consultório médico, quando os meus exames alterados exigiram uma atitude: "Você precisa fazer alguma atividade física. Como você quer estar daqui a 20 anos?"

Desde então, o esporte se tornou o meu porto seguro. A corrida já me tirou do fundo do poço e me devolveu a vontade de viver, me mostrou novos caminhos, me trouxe amizades incríveis e me desafiou a superar meus próprios limites. É isso que eu conto lá no meu perfil no Instagram, o @corro_pra_descansar.

Com a chegada da menopausa, percebi que era hora de adaptar o ritmo. Em vez de focar apenas em bater recordes pessoais, decidi buscar novas experiências. Foi aí que criei coragem para me jogar nos 19 km de trilha. Muita gente acha que nessa idade a gente não pode inventar de fazer nada novo, mas deixei o medo de lado e me joguei. Quando terei essa oportunidade novamente? Não sei!

Correr pelo outro: a amizade que venceu o coração novo

O desafio na Chapada dos Guimarães, no entanto, teve um propósito ainda maior. Fui para a prova acompanhar o meu grande amigo Thiago Mota (veja o relato dele aqui). Apenas 100 dias antes, o Thiago havia sofrido um infarto severo antes de iniciar o ciclo para a sua segunda maratona. Acompanhar a recuperação dele foi tenso, mas ver a liberação médica reacendeu a certeza de que nós precisávamos daquilo para nos sentirmos vivos.

Não tive dúvida: decidi correr cada metro ao lado dele.

Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Divulgação / Contra-Relógio
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

"Eu estava morrendo de preocupação, mas sabia o quanto ele precisava daquela experiência. Ver o coração acelerar, sentir a respiração e lembrar que a vida é agora. Nos divertimos o percurso todo, parávamos para apreciar a vista, chorávamos juntos e agradecíamos pela oportunidade que a vida nos deu."

Enquanto o Thiago celebrava o milagre de um coração novo, eu mostrava que chegar aos 50 anos é sinônimo de vitalidade e deixava um legado saudável para os meus filhos. Eu pensava neles o tempo todo. Imaginei meus filhos assistindo aos vídeos depois e falando: "olha como minha mãe era aos 50!" De quebra, dando um exemplo e mostrando a eles tudo o que existe além da linha de chegada.

Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Na Buena Onda / Olympikus
Foto: Divulgação / Contra-Relógio

Um verdadeiro espetáculo da natureza

Para uma corredora de asfalto, a trilha exigiu atenção redobrada. O terreno mudava a cada quilômetro: terra batida, terra úmida, areia fofa e pedras que exigiram técnica (o que rendeu dois tombos de leve do meu parceiro Thiago, mas sem gravidade).

A recompensa veio em forma de paisagens inesquecíveis. No special point, no alto de uma chapada, a imensidão de um vale infinito fez a gente se emocionar. Pouco depois, em um mirante com vista para a Cachoeira Véu de Noiva, o espetáculo ficou por conta de um grupo de araras. Elas ficavam dando voltas e passavam bem na nossa frente, parecendo um balé. Fiquei até pensando: será que a organização contratou esse show das araras também?

Eu, que sempre corri no asfalto, descobri que também existe muita coisa para viver quando a gente se permite sair do caminho conhecido.

Contra-Relógio
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra