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O novo motor do treino: por que os brasileiros estão trocando o projeto estética pela saúde mental?

Esqueça a busca pelo corpo perfeito: levantamento inédito revela que o verdadeiro foco nas academias agora é combater o estresse e a solidão

25 jun 2026 - 16h23
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Durante décadas, a indústria fitness vendeu uma única promessa: a transformação estética. Alcançar um padrão de corpo ou melhorar a performance eram os grandes combustíveis para lotar as academias. Contudo, o cenário mudou drasticamente. Hoje, reduzir o estresse, controlar a ansiedade, dormir melhor, ter mais disposição e cuidar da saúde mental se tornaram objetivos muito mais urgentes para os brasileiros do que simplesmente emagrecer ou ganhar músculos.

Uma pesquisa realizada com mil brasileiros revela que 66% das metas de atividade física para os próximos meses estão focadas na saúde mental
Uma pesquisa realizada com mil brasileiros revela que 66% das metas de atividade física para os próximos meses estão focadas na saúde mental
Foto: Divulgação/BEON / Bons Fluidos

Essa virada de chave foi comprovada por um estudo da BEON Studios, ecossistema de studios high-end do Grupo Smart Fit. De acordo com o levantamento feito com mil pessoas, impressionantes 66% das metas ligadas aos exercícios para os próximos 12 meses têm foco exclusivo na saúde emocional.

A busca por uma válvula de escape

Essa transformação na rotina não acontece por acaso. Na verdade, ela reflete as pressões do mundo contemporâneo. A pesquisa mostra que 58% dos brasileiros se sentem sozinhos pelo menos algumas vezes no mês, enquanto 41% sentem falta de conexões mais profundas no cotidiano.

Nesse contexto, o treino assume um papel terapêutico. Veja o peso dos fatores emocionais apontados pelos entrevistados:

  • Válvula de escape: 7 em cada 10 pessoas usam os exercícios para aliviar a mente.

  • Foco no invisível: 64% dos ganhos percebidos na atividade física são emocionais, e não estéticos.

  • Benefícios mais desejados: Energia, felicidade, qualidade de vida e alívio do estresse lideram a lista.

O poder do treino em grupo e o "wellness social"

Mudar a mentalidade é um passo importante, por outro lado, transformar a intenção em hábito continua sendo a maior dor do mercado. Embora 94% dos participantes digam que cuidar da saúde é prioridade, 60% admitem que não conseguem treinar o quanto gostariam. É justamente aí que o fator social entra como um poderoso aliado. A presença de outras pessoas funciona como um combustível para a disciplina:

  • Compromisso com o outro: 57% dos praticantes já foram treinar sem vontade só porque alguém do grupo os esperava.

  • Rede de apoio: 69% afirmam que a influência dos colegas é o que mantém a motivação viva.

  • Efeito coletivo: 82% sente que a saúde mental fica melhor treinando em grupo do que sozinhos.

  • Acolhimento: 72% contam que colegas ou professores já deram suporte em momentos difíceis da vida.

Esse fenômeno impulsiona o chamado "wellness social", um conceito que une o suor do treino à construção de laços humanos reais.

O acolhimento como estratégia para a saúde mental

Para os espaços de treino, criar um senso de comunidade virou a chave para reter os alunos. O estudo aponta que 59% das pessoas que encontram o "seu lugar" consolidam a atividade como um hábito de vida. Além disso, ter horários fixos triplica as chances de criar esse vínculo, enquanto a probabilidade de pertencimento aumenta quase nove vezes quando o professor conhece o aluno pelo nome e acompanha sua evolução de perto.

A liderança do setor reconhece esse novo momento do mercado. De acordo com a CEO da BEON, Carolina Corona:

"Os dados evidenciam uma mudança de comportamento que já vínhamos observando no mercado. Hoje, as pessoas buscam algo mais amplo: querem reduzir a ansiedade, lidar melhor com o estresse, dormir melhor e construir hábitos que contribuam para a qualidade de vida. Isso faz com que academias e studios precisem ir além do treino e passem a criar experiências capazes de gerar conexão, acolhimento e senso de comunidade".

Em suma, a tecnologia, os equipamentos e as modalidades continuam ali, mas agora dividem espaço com a necessidade urgente de conexão humana. O exercício físico deixou de ser apenas uma ferramenta para moldar o corpo e se transformou em uma estratégia vital para encarar os desafios da vida moderna.

Bons Fluidos
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