'Histórico de contaminação por bactérias' motivou nova fiscalização na Ypê, diz Anvisa
Agência afirma que inspeção realizada em abril encontrou fragilidades em processos de qualidade, produção e controle sanitário da fabricante
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta sexta-feira, 8, que a fiscalização realizada na fábrica da Ypê, em Amparo, no interior de São Paulo, foi motivada também pelo histórico de contaminação microbiológica identificado em produtos da empresa no ano passado. Segundo a agência, novos elementos levantados recentemente indicaram a necessidade de reavaliar as condições de fabricação da unidade. A Ypê afirma que testes e laudos técnicos independentes atestam a segurança dos produtos e disse confiar na reversão da decisão da Anvisa.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Na quinta-feira, 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê fabricados pela Química Amparo. A medida vale para todos os lotes com numeração final 1 e inclui também a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados. Segundo a agência, a decisão foi tomada após avaliação de risco sanitário realizada em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e a Vigilância Sanitária de Amparo.
De acordo com a Anvisa, a inspeção feita na última semana de abril de 2026 encontrou fragilidades no sistema de qualidade, no controle microbiológico, nos processos de produção, limpeza, sanitização e rastreabilidade da fábrica. A agência afirmou que esses pontos estão diretamente ligados à prevenção de desvios microbiológicos e representam risco sanitário aos consumidores.
A fiscalização atual acontece meses após a própria Anvisa determinar, em novembro de 2025, o recolhimento de lotes específicos de lava-roupas líquidos da marca Ypê após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos. Na ocasião, a contaminação microbiológica havia sido detectada pela própria fabricante, a Química Amparo, e levou à suspensão da comercialização, distribuição e uso dos lotes atingidos.
Segundo a agência reguladora, embora cada caso tenha produtos e lotes diferentes, existe uma conexão técnica entre o histórico anterior e a necessidade de aprofundar a fiscalização realizada neste ano. A Anvisa ressaltou, porém, que a medida adotada agora está baseada nos achados verificados durante a inspeção de abril de 2026 e não apenas nos episódios anteriores.
A orientação da agência é para que consumidores suspendam imediatamente o uso dos produtos incluídos na Resolução 1.834/2026 e entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor da empresa para informações sobre o recolhimento. A Anvisa também determinou que vigilâncias sanitárias estaduais e municipais reforcem o monitoramento do mercado para evitar a circulação dos lotes afetados.
Em nota ao Terra, a empresa informou que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor. “A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e, com a apresentação de informações e evidências técnicas adicionais, confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível”, declarou. A companhia reafirmou ainda seu compromisso com qualidade, segurança e transparência e orientou consumidores a entrarem em contato pelos canais oficiais de atendimento.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.