Hantavírus: OMS esclarece riscos para a população global
O alerta da agência ocorreu após a confirmação de cinco casos e outros três sob investigação em um cruzeiro que partiu da Argentina há um mês
O recente surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius, que deixou três mortos, tem gerado preocupação sobre a possibilidade de uma nova pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, declarou nesta sexta-feira (8) que o risco de contágio em nível mundial é "extremamente baixo".
"Trata-se de um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa realmente infectada. Quanto ao risco para a população em geral, ele continua extremamente baixo", explicou o porta-voz da agência, Christian Lindmeier, durante conversa com a imprensa em Genebra.
Apesar de os casos terem sido causados pela cepa Andes — uma variação rara com potencial de transmissão entre humanos —, outras entidades, como a ONU, também descartam um cenário semelhante ao da Covid-19. Isso porque, conforme apontou a médica Maria Van Kerkhove, da OMS, o vírus "se propaga de forma muito diferente".
Origem do vírus
Responsável por oito casos, sendo três ainda em investigação, a variante foi identificada pela primeira vez no Chile, em 1995. Hoje, circula tanto em território chileno quanto na Argentina, principalmente na Cordilheira dos Andes, onde há cerca de 60 ocorrências anuais. Ainda não se sabe a origem do surto no cruzeiro. O navio saiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde.
A primeira contaminação, contudo, ocorreu antes da viagem. De acordo com a OMS, um holandês, que não resistiu à doença, apresentou sintomas pouco antes de embarcar, no dia 6 de abril. Nesse período, ele e a esposa haviam viajado por Chile, Uruguai e Argentina.
O que você precisa saber sobre o hantavírus
Por se tratar da cepa Andes, a infecção pode ter acontecido ao respirar perto de fezes ou urina de animais contaminados ou até pelo contato próximo com pessoas. Independentemente da forma de contágio, os sintomas — como febre, cansaço, dores musculares e dificuldades respiratórias — tendem a surgir em até seis semanas. Por isso, as autoridades acreditam que ainda receberão novas notificações.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus. A orientação da Organização Mundial da Saúde, então, é limitar o avanço da doença com medidas sanitárias. A fim de controlar o risco, agentes também seguem monitorando os passageiros que já retornaram para casa, principalmente os hospitalizados nos Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul.
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